TIAGO QUEIROZ
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‘Estado’ mapeou novas salas de teatro, espaços reformados e sob nova direção

Casas de 240 a 900 lugares voltadas para a rua oferecem programação variada sempre em busca dos aplausos

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2019 | 14h29

Novos, de todos os tamanhos e para todos os públicos. Desde o ano passado, São Paulo tem recebido a inauguração de teatros por toda a cidade. São criações de salas inéditas, espaços que estavam fechados para reforma e palcos que ganharam novos nomes, atraindo diferentes plateias. 

O Estado mapeou quatro locais nas regiões do Jardim Paulista, Liberdade, Bela Vista, Morumbi. Encontrou de teatrinhos aconchegantes de 240 lugares a verdadeiras casas de espetáculo com capacidade para acomodar 900 pessoas. 

Alguns estavam em reforma, antigos conhecidos do público, outros surgiram do nada, em projetos originais, e agora oferecem programação variada, de espetáculos teatrais, de dança, shows de música, sessões de standup comedy e palestras. Todos os quatro já estão abertos. Detalhe: são fora de shoppings, abertos direto para a rua. 

Mas vamos pelos menores. Em agosto, a Alameda Santos, próximo à Avenida Paulista, recebeu o novíssimo Teatro Unimed, projetado pelo arquiteto Isay Weinfeld. Com a fachada voltada para a Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, o teatro de 240 lugares ocupa o Edifício Santos Augusta, acompanhado de vizinhos modernos e agitados, como ateliês de moda, empresas de streaming de música, além de café e restaurante.

Um pouco maior é o Teatro Vivo, na Zona Sul. Fechado há nove meses para reforma, o espaço conhecido do público teatral reabriu em setembro totalmente transformado. A capacidade de 274 lugares não mudou, mas a parte técnica e estrutural recebeu investimento da empresa de telecomunicação e estreou com a temporada da peça Eu de Você, solo de Denise Fraga

Com quase o triplo da capacidade, o Teatro Nissi surge na lista de espaços reformulados, com 680 lugares. O antigo Teatro Brigadeiro foi acolhido pela companhia de teatro cristão Jeova Nissi, que promoveu uma reforma e ganhou a ocupação do espaço por 10 anos. 

O último da lista, com tamanho de impressionar, é o Teatro Liberdade, administrado pela Infinitus Entertainment. São quase mil lugares. Seu palco de 240 m² abriu discreto no fim de 2019 com programações pontuais e aposta em shows, stand up e musicais.

Teatro Vivo

Um novo velho conhecido do público teatral 

Foram longos nove meses para que o reforma do Teatro Vivo fosse concluída em setembro desse ano. Na semana do dia 19, a correria era maior, conta o curador André Acioli. A abertura foi com a estreia de Eu de Você, primeiro espetáculo solo de Denise Fraga. “Já queríamos começar com uma artista que dialogasse com todos os públicos.”

Os 274 lugares do espaço não foram alterados. Aliás, antes de ser inaugurado em 2004, o Teatro Vivo havia sido projetado para ser um cinema, bastava ver o comprido corredor que dividia o bloco de poltronas. A parte técnica foi o maior investimento. Houve mudanças no isolamento sonoro, projeto de iluminação, cabines de som e de audiodescrição, além de camarins e um sistema de fumaça importado. 

Do lado de fora do teatro, as mudanças impressionam. Antes, o amplo saguão abrigava uma tímida cantina para o público. Agora, com um bar lounge, o objetivo é aproveitar a presença de quem sai do trabalho e quer curtir uma atividade cultural. “Queremos que o teatro seja uma continuidade do dia da plateia depois de um dia de trabalho”, afirma o CEO da Vivo, Christian Gebara. 

Teatro Unimed

O menor e mais urbano, ao som de David Bowie

Rodeado de bons teatros na Avenida Paulista, o edifício Santos Augusta não se sentiu ameaçado e abriu nos seus três primeiros andares o Teatro Unimed, projeto do arquiteto Isay Weinfeld e com curadoria de Monique Gardenberg.

O teatro intimista de 240 lugares, revestido com madeira em seu interior, foi inaugurado com a elegância e estilo de Lazarus, último musical escrito por David Bowie e Enda Walsh. “Nada como começar com um grande artista para nos inspirar”, afirma o arquiteto. 

Mesmo abrigado por um edifício, o teatro está aberto para a rua. Antes de adentrar o espaço, é possível sentar-se em um dos bancos espalhados pela calçada ou mesmo tomar um café no Perseu. Empresas de tecnologia e moda também ocupam o prédio.

Teatro Liberdade

Um gigante para abrigar todos os gostos 

Iniciativa da loja maçônica de São Paulo, o Teatro Liberdade, na Rua São Joaquim, tem um porte que impressiona. O complexo apresenta 900 lugares, em 3 mil metros quadrados, sendo 240 metros quadrados de palco. Com essa dimensão, não é difícil imaginar o que pode caber ali: simplesmente tudo.

Além da programação cultural, há o interesse em promover fóruns, formaturas, congressos e lançamentos, explica o administrador Manuel Fernandes, da Infinitus Entertainment. “Estamos rodeados por quatro universidades na região, o que nos oferece um perfil muito interessante de público.” O prédio que estava abandonado tem muita história. Nos anos 1950, abrigava o Cine Tokio, com programação dedicada a filmes orientais.

Sem grandes anúncios, a inauguração do Liberdade foi em um ritmo mais discreto, talvez para sentir a adesão do público. Desde o fim do ano passado, realizaram sessões de espetáculos, shows e stand up comedy. Por lá já passaram o musical These Days Bon Jovi Experience, uma palestra do colunista do Estado Leandro Karnal e o stand up com Diogo Portugal e Nany People. 

Para os próximos meses deve estrear o musical Beatles 4 Ever, show da cantora escocesa KT Tunstall e em dezembro a Geek Class, um encontro do mercado geek mundial. 

Teatro Nissi

Estreia rara na cidade, com produções de fé

Novo no estilo, mas não tão antigo assim. O Teatro Nissi quebra um jejum na cidade de São Paulo inaugurando um espaço teatral por parte de um grupo cristão profissional. Com mais de 25 anos de experiência, é a primeira vez que a companhia liderada por Caique Oliveira tem uma sede para chamar de sua. 

Durante a temporada de Rua Azusa – O Musical, o grupo reconheceu que o antigo Teatro Brigadeiro, com seus 680 lugares, poderia ser um espaço de criação e de pesquisa. “Percebemos que o local precisava de uma grande reforma. Negociamos com a proprietária e vamos ocupar o teatro por dez anos.” A montagem com mais de 40 atores foi inspirada na gênese do movimento religioso pentecostal e da segregação racial nos EUA, no início do século passado. “Foi uma forma de resgatar parte da história cristã e olhar para a realidade atual de preconceito e racismo.” 

A repercussão da montagem que também fez temporada no Teatro Glauce Rocha, no Rio, deu fôlego para que a companhia entre em nova fase de produção, novamente debatendo a realidade à luz da religião. “Vamos falar de imigração a partir da história de Ester.”

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