Carlao Firmino/ Divulgação
Carlao Firmino/ Divulgação

Espetáculo infantil 'Umbigo' mostra como lidar com as diferenças

Com direção de Gero Camilo, peça chega neste sábado, 5, ao Sesc Belenzinho, com sessão extra no dia 25

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2019 | 04h26

Com um tema mais que atual, a questão das diferenças e deficiências, Umbigo marca a entrada do ator Gero Camilo no universo infantil que, além de atuar também assina direção do espetáculo. Após estrear no fim de ano no Sesc Interlagos, a peça chega neste sábado, 5, ao Sesc Belenzinho, onde cumpre temporada até dia 3 de fevereiro, com um a sessão extra no dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo. Completam o elenco, Victor Mendes, autor do texto, Nathalia Alfieri e Luciana Carnielli.

A peça Umbigo conta a história do menino Aderbal, que, em um determinado momento, constata que tem algo diferente em seu corpo, ou melhor, falta alguma coisa. Ele não tem umbigo. E isso faz com que ele fique cheio de questionamentos, mas sem encontrar respostas imediatas. Após essa incrível descoberta, o garoto terá de enfrentar o olhar desconfiado das outras pessoas, dos amigos e dos desconhecidos, cada um lidando de forma diferente com essa deficiência. Para superar esse conflito, o garoto contará com o apoio de sua colega de escola, Marcela. 

Conhecido por papéis em filmes como Carandiru, Gero Camilo é extremamente performático, não se limitando a uma só função, expandindo seu universo ao mostrar seu lado poeta, cantor, compositor e dramaturgo. Mas essa é a primeira vez que ele entra nesse mundo do teatro infantil. “Faltava voltar à origem, à criança”, conta o ator. Ele explica que a ideia do espetáculo veio da companhia que ele e Victor Mendes criaram em 2016, a Cia. Tertúlia de Acontecimentos, que conta ainda com a produtora Flávia Corrêa. “A partir da nossa companhia, fomos montando nossos projetos, como o atual Andy”, que é o espetáculo adulto mais novo do grupo e que faz um retrato do polêmico ator performático americano Andy Kaufman.

Quanto a Umbigo, Gero conta que o “Victor, que é escritor também, já tinha esse texto pronto e eu havia gostado muito, e decidimos inscrevê-lo no Proac, por texto e montagem inéditos, e nós ganhamos esse edital e, a partir disso, mergulhamos no espetáculo em si”. Ele revele também ter sido uma vontade pessoal. “Na verdade, não passava pela minha cabeça montar um infantil agora, mas isso vem muito de um projeto da companhia, de um olhar do grupo para dar maior amplitude ao nosso discurso, afinal, por ser a Cia. de Acontecimento, nos faz querer dialogar com todos os públicos.”

E, por falar em público, depois de fazer cinema, teatro, TV, escrever peças e gravar disco, Gero Camilo encara esse novo desafio, o de se comunicar com as crianças, que é, mais que sabido, um dos públicos mais exigentes, que não tem meio termo, se gosta diz que gosta, se não gosta, a crítica será imediata. “Um artista não pode subestimar nenhum público, nem tão pouco ser adestrado por ele, afinal, a gente tem uma função clara, que é o de dialogar, a partir de uma experiência lúdica ou documental, tem que ter uma relação de abertura para aprender com cada um deles”, explica.

“Eu que não tinha montado nenhum infantil, agora estou nesse processo de abertura e o que tenho de mais importante a oferecer é minha humanidade na forma como lido com as crianças de uma maneira geral, na rua, nos afetos”, diz o artista, que mostra a preocupação e o tamanho dessa responsabilidade, “que dá esse friozinho na barriga, seja com relação ao público adulto ou infantil”, afirma Gero, que diz ainda que “o que a gente tem que ter é uma abertura e sinceridade para dialogar com esse público, então eu não subestimo a criança”.

Com relação ao texto, Gero conta que é a “história de um menino que descobre que não tem umbigo, e essa criança, a partir desse conflito, vai perguntar para mãe, para os amigos no clubinho que frequenta, no meio social dela, e vai expor e questionar esse conflito fantástico”. Ele continua, explicando que, a partir disso, vamos observar como lidamos com o diferente, seja o diferente deficiente ou que é diferente de cor, de classe social”. Claro que, mesmo sendo um tema tão sério e preocupante, o espetáculo tem esse olhar sensível e lúdico. “O texto no Victor lida com esses conflitos, mas de forma leve, sendo uma peça para brincar, procurando mostrar que as crianças precisam saber que tem pessoas de todos os tipos ”, fala o ator, que explica que a intenção do espetáculo tratar com leveza esse tema complicado e necessário. 

Umbigo também tem música, trabalho de Luiz Gayotto, ele que foi diretor musical do meu primeiro CD. Trata-se de um espetáculo divertido, leve, que estreia agora no Sesc Belenzinho e depois pretendemos circular bastante com ele pelo País, mostrando para esse público novo e passando por locais onde possamos dialogar com um público aberto para receber a poética da vida”, finaliza.

UMBIGO

Sesc Belenzinho. Rua Padre Adelino, 1.000, tel. 2076-9700.

Sáb. e dom., 12h (sessão extra dia 25). R$ 6 a R$ 20. Até 3/2. 

 

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