Victor Iemini
Victor Iemini

Espetáculo infantil 'A Sopa de Pedra', de Tatiana Belinky, ganha apresentações online

Encenada pelo grupo Luz e Ribalta, peça fica em temporada de 27 de março a 16 de abril, com tradução em libra e audiodescrição

Entrevista com

Theodora Ribeiro

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 12h01

O mundo da cultura e das artes é sempre cheio de exemplos inspiradores, com profissionais que superam as mais diversas dificuldades. Neste momento de pandemia, a situação ficou ainda mais grave para o setor, que exige que todos os seus trabalhadores se desdobrem e usem com mais afinco a sua criatividade. Nascido há 36 anos, o grupo Luz e Ribalta é um desses exemplos ao se dedicar a promover espetáculos para o público infantil. Tomando a rédea da situação, a companhia decidiu produzir conteúdo dentro do mundo virtual. Assim, a partir deste sábado, as crianças poderão conferir a peça A Sopa de Pedra, que foi gravada no Teatro Irene Ravache e estará disponível no YouTube do grupo, até o dia 16 de abril, de forma gratuita.

A ligação do grupo com o texto de Tatiana Belinky (1919-2013) vem de longa data. A primeira encenação feita por eles foi em 1988, época em que a autora chegou a conferir pessoalmente algumas apresentações. Para essas encenações atuais, o Luz e Ribalta assina a direção artística, mas mantém a direção original de Antônio de Andrade. Em sua formação estão os atores Luiz Amorim, Níveo Diegues e Theodora Ribeiro, que contam com a participação dos músicos Renato Commi e Erick Chica, que executam ao vivo as músicas compostas por Renato Commi e Gésio Amadeu.

Na história, dois artistas mambembes, Magnólio e Benzedrino, cansados e famintos, encontram a casa da Velha Avarenta e lá percebem que a mulher não tem a menor intenção de lhes oferecer comida. Eles não desistem e usam de uma divertida artimanha para conseguir descansar um pouquinho e saciar a fome.

Integrante do grupo desde a criação, a veterana atriz Theodora Ribeiro fala um pouco sobre o espetáculo e a trajetória da companhia.

Depois de tantos anos no palco do teatro, como foi pensar o espetáculo no formato virtual?

Para fazer a Sopa no formato virtual, tivemos de pensar em uma produção voltada para a câmera. Mas o espetáculo é a mesma Sopa de sempre, com os mesmos parceiros, atores, músicos e técnicos. A plateia estava vazia, mas uma câmera apontada para nós nos dava a consciência de que a gente estava falando para um novo público: o público virtual. E também, pela primeira vez, estamos trabalhando para um público com necessidades especiais e vamos ter tradução em libra e audiodescrição.

É um espetáculo ideal para este momento de pandemia, para divertir a família?

Sim. A Sopa de Pedra agrada a todos os públicos. E essa história é muito importante neste momento, porque é bem divertida. Neste momento de tanta tristeza e de confinamento, A Sopa é um espetáculo oportuno para a família. Tanto os pais quanto as crianças podem assistir juntos. A Sopa de Pedra é um resgate dos nossos “causos” tradicionais, que mereceram registro ao longo da história. Quem já conhece vai se emocionar. E quem for assistir agora vai guardar esse registro com muito carinho.

O que esse texto tem de especial para ficar tanto tempo sendo encenado?

Os contos e causos populares atravessam os tempos. A Sopa de Pedra é uma dessas histórias que passam de geração em geração. Chegou até nós através de colonizadores portugueses, e continua sendo contada em terras lusitanas até hoje. Tatiana Belinky fez um registro primoroso deste causo, que o grupo Luz e Ribalta tem ajudado a contar. Sempre existirá um público para essas histórias tradicionais. Nós precisamos disso.

Fizeram alguma alteração na encenação desde a estreia nos anos 1990?

Sim. Ao longo destes 23 anos de apresentações, mantivemos o texto e a encenação original concebida pelo Tonhão de Andrade. Mas no decorrer deste tempo tivemos mudanças no elenco. O espetáculo estreou em 1998, no Teatro Sérgio Cardoso, Sala Paschoal Carlos Magno, com Gabriela Rabelo, Gésio Amadeu e Luiz Amorim, que é o único ator que se mantém do elenco original até hoje, além do músico Renato Comi. Também passaram pelo elenco os atores Kalil Jabour, Therezá Convá e Tony Germano. O grupo atual está junto há aproximadamente 20 anos. Sou eu (Theodora Ribeiro), Níveo Diegues, Luiz Amorim e Renato Comi. Em temporadas especiais, contamos também com a participação do músico Erick Chica e acrescentamos outras músicas tradicionais infantis, algumas alterações no figurino, mas sempre mantendo a concepção original do espetáculo. No meu caso, por exemplo, hoje em dia já não preciso mais usar peruca de cabelos brancos para fazer a Velha....

O que o texto, a peça, passa para o público, qual é a mensagem?

A mensagem é que a avareza, característica da Velha, nunca é uma boa ideia. Nós podemos usar a alegria e a arte para superar adversidades. Precisamos também ser mais espertos para não perder oportunidades. É isso que os personagens Benzedrino e Magnólio fazem.

É também uma forma de lembrar e homenagear Tatiana Belinky?

Claro! Toda e qualquer apresentação da Sopa de Pedra é uma homenagem para a Tatiana. O grupo encenou 5 textos dela (além da Sopa, Os Turrões, Cheirinho de Pão, O Macaco Juiz e Beijo Não), mas essa peça sempre foi muito especial para todos nós, e para a Tatiana também. Ela gostava muito do nosso espetáculo, sempre se fazia presente, e quando tínhamos de conversar sobre direito autoral, Sbat, ela nos dizia que o mais importante era levar essa história para as pessoas se divertirem.

SERVIÇO:

Sopa de Pedra

Sábados e domingos: às 16h

Quinta, 15 de abril, às 10h

Sexta, 16 de abril, às 15h

Grátis

Link para acesso: www.luzeribalta.com.br

 

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