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Em 'Sou Toda Coração', Débora Duboc interpreta 22 canções que tratam do afeto

Atriz está na peça ao lado de Jonatan Harold

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2015 | 03h00

Escritor profícuo, o ator e diretor Elias Andreato mantém uma série de textos dramatúrgicos que esperam o momento certo para tomar vida no palco. Um deles, Sou Toda Coração, deixou a gaveta e já ocupa o Teatro Itália, com Débora Duboc dividindo a cena com o músico e compositor Jonatan Harold. “Se eu tivesse voz de cantor, já tinha montado essa peça antes, mas agora tenho o privilégio de trabalhar com Débora, que concilia maravilhosamente bem o papel de atriz e cantora”, diz Andreato que, para ela, cunhou o termo “cantriz”.

Com o título inspirado em um verso de Maiakovski, Sou Toda Amor remete aos musicais íntimos em clima de cabaré dos anos 70 e 80. Em cena, Débora constrói, unindo a fala e o canto, um “discurso amoroso”. São 22 canções, desde clássicos antigos (Lamartine Babo, Noel Rosa, Ataulfo Alves) a modernos (Caetano Veloso, Chico Buarque), com arranjos originais assinados por Harold, entrelaçadas por textos criados a partir de pot-pourri de fragmentos de autores como Fernando Pessoa, Willian Shakespeare, Walter Franco, Clarice Lispector, até frases de caminhão de origens desconhecidas. “A música tem uma função dramatúrgica, pois tem cheiro e provoca reações mais fortes no espectador”, romantiza o diretor, habituado a dirigir shows de cantoras – prepara, por exemplo, o próximo de Fabiana Cozza.

Com experiência em espetáculos permeados de canções (“Minha origem teatral está mais no canto que na interpretação”), Débora se diz bem acolhida por Andreato. “Ele tem carinho pela minha voz”, elogia. “O espetáculo constrói o discurso amoroso até terminar em uma mandala.”

No início, ela acreditava que o trabalho seria mais tortuoso. “Eu nunca havia cantado tantas músicas em apenas um espetáculo – em Jocasta, por exemplo, eram apenas cinco”, justifica. Mas a fluidez veio a partir do entendimento cênico com Jonatan Harold. Com formação erudita e popular no piano, ele encontrou o caminho ideal para costurar as canções. “Seu talento permite descobrir com rapidez a melhor forma de unir as músicas sem causar estranhamento”, comenta Andreato.

Além das apresentações de Débora e Jonatan, o espetáculo conta ainda com projeções de vídeos, que criam uma moldura para as cenas. “Mas, ao contrário do que se tornou tradicional, não se trata de alta tecnologia”, explica Andreato, que brinca: “É quase a projeção de um slide.” Na verdade, a intenção é reforçar o romantismo ao contar uma história antiga por meio de imagens. “Há, por exemplo, um momento com reproduções de noivas antigas.”

Mais conhecido por sua presença cênica, como ator e diretor, Andreato confirma aqui a importância da canção em sua carreira. “O teatro sempre se apropriou da música para enriquecer e encantar o espectador”, observa. “Toda vez que a música invade a cena é mais uma possibilidade de acarinhar e transformar quem está espiando o espetáculo.”

 

SOU TODA CORAÇÃO

Teatro Itália. Avenida Ipiranga, 344, Metrô República, telefone 3255-1979. 4ª e 5ª, às 21h. R$ 40/R$ 20. Até 10/12

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