MARIANA WANG
MARIANA WANG

Em 'Risco', Cia do Relativo une o circo tradicional ao contemporâneo

Grupo manipula 3.000 folhas de papel e criam ilusões com objetos do cotidiano

Leandro Nunes, Impresso

20 Setembro 2018 | 06h00

É no ritmo da evolução do teatro e da dança que o grupo Cia do Relativo quer estar. O coletivo de circo contemporâneo faz duas apresentações do espetáculo Risco, nesta quinta, 20, e sexta, 21, no Teatro Décio de Almeida Prado.

Fundado em 2009, o grupo estreou o primeiro espetáculo, O Descotidiano, apostando na técnica de malabares trazida do circo tradicional, mas sempre em diálogo com o que se pode chamar de circo contemporâneo. Antes, é preciso entender essa vertente das artes circenses que está tão bem estabelecida no mundo, mas é ainda jovem ou pouco explorada no Brasil, conta Tássio Folli. “O circo tradicional está ligado à programação de diversos números anunciados por um apresentador. Mas assim como a dança e o teatro se sofisticaram ao longo do tempo e reinventaram modos de se expressar, o circo contemporâneo também faz parte de um desenvolvimento e uma pesquisa naturais nas artes circenses”, afirma ainda.

Em O Descotidiano, Otavio Fantinato manipula objetos do dia a dia, como bules, livros e bolas. Em uma estrutura de madeira, o artista faz números de equilíbrio. O mesmo se dá nos trabalhos anteriores, como Carta Branca e Cabaré?, conta Folli. “Em Cabaré?, há uma fusão de dança e teatro no formato do circo tradicional, realizado por uma sucessão de números, além da música ao vivo.”

Em Risco, o nome do espetáculo também indica um passo do grupo em outra direção. É a primeira produção do Relativo que não se baseia em número de malabarismo. “Deixamos os aparelhos tradicionais e nos inspiramos em uma folha de papel.” Na montagem, um escritor está sentado em sua mesa quando 3.000 folhas de papel ganham vida. Papéis que foram amassados retornam do chão e a caneta do artista fica em pé sozinha. Folli e Fantinato se revezam na manipulação dos objetos e na execução dos truques. Para Folli, Risco surge como metáfora do mundo, por vezes inacessível, das ideias. “Queremos experimentar o prazer e a angústia que preenchem a vida de todo artista que se põe a criar.”

Grupo belga, Pol & Freddy muda forma de se assistir a um show

Criado em 2006, e um dos mais tradicionais  da Europa, chega a SP  com uma proposta diferente para o público

Mais do que se preocupar com a criação de uma obra é preciso atentar em como o público do século 21 pode participar de uma criação artística. O espetáculo Circo Democrático da Bélgica, do grupo belga Pol & Freddy faz única apresentação na próxima sexta, 28, no Centro Cultural Olido, e convida o público para uma experiência diferente.

O espetáculo foi criado pelos belgas Sander De Cuyper, Gab Bondewel e Bram Dobbelaere. A primeira experiência do trio se deu em Ready, que combina elementos do malabarismo, acrobacias e números inspirados no cinema mudo. 

Na nova empreitada, os artistas retomam a história recente do país que protagonizou a mais longa crise política do mundo, com 541 dias sem governo. Em 2010, após as eleições legislativas, os principais partidos entraram em conflito e a nomeação do primeiro-ministro só foi decidida em outubro de 2011. 

Em O Circo Democrático da Bélgica, a plateia tem uma placa na mão com duas cores, vermelha e amarela, de cada lado, inspiradas nas bandeiras dos partidos. Diante de cada número apresentado, a plateia pode escolher – com mais agilidade – quem será seu representante. 

CIRCO DEMOCRÁTICO DA BÉLGICA. Centro Cultural Olido. Av. São João, 473. Tel.: 3397-0177.  6ª (28), às 14h. Grátis

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