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Em 'O Livro de Tatiana', Bruno Garcia mostra o palco como fonte de sonhos

Fábula destaca importância do teatro

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2016 | 03h00

O teatro, para Bruno Garcia, não se resume a um espaço de mera diversão – palco e plateia unem-se em uma comunhão de mistérios e contradições, na qual a reflexão e a vontade de estímulo sejam a busca comum. Assim, nada mais natural que sua estreia como dramaturgo seja, no fundo, uma homenagem à importância do teatro. O Livro de Tatiana, que estreia hoje no Teatro Porto Seguro, é uma peça que pretende ajudar as pessoas a descobrirem quem são e no que estão se transformando.

“É uma peça dedicada principalmente ao público infantojuvenil, pois essa se transformará na plateia do futuro”, conta Garcia que, além da dramaturgia, também é responsável pela direção e ainda figura como ator. “Mas os temas são tão abrangentes que espectadores de todas as idades vão curtir da mesma forma.”

Não se trata de figura de retórica – ao finalmente concretizar a produção (o texto foi escrito entre 1996 e 97 e aguardava o momento de sair do papel), Bruno Garcia alinhavou um espetáculo que traz referências de diversos tipos de teatro, detalhe necessário para valorizar a abrangência. Para começar, é um musical – Garcia compôs todas as canções, que trazem uma sonoridade dos anos 1960 e 70 e dialogam com bandas como Mutantes, Secos e Molhados, Novos Baianos e The Doors, mas com viés contemporâneo.

Em segundo lugar, o texto traz um leve sabor épico, ao contar a história de Tatiana, menina que, certo dia, ouviu a mãe dizer: “tem um anjo lá no norte que diz amém para tudo o que a gente deseja”. Encucada, ela passa a entender quando, ao completar 11 anos, ganha um livro vermelho recheado de páginas em branco. Lá, ela descreve seus desejos que logo acabam misteriosamente realizados – ao final, o espectador descobre que o tal Senhor do Norte é o produto de sua imaginação e que ela estava em uma peça de teatro, espaço onde a criatividade tem liberdade total.

“Para mim, teatro é espelho, um lugar aonde se vai para se ver”, comenta Garcia. “Por isso, escrevi o texto sobre uma personagem inteligente, com pensamentos legais para serem ditos no palco, sem maniqueísmos sobre o bem contra o mal. Eu queria dirigir um tipo de teatro para comunicar e não só para entreter.”

Ainda na lista dos recursos cênicos que compõem a peça estão o uso de bonecos e marionetes da Companhia de Inventos, feitos por Bernardo Rohrmane Renata Franca e manipulados por pessoas que se vestem inteiramente de preto, e também a trilha sonora executada ao vivo pela Banda Armonika, composta por três músicos e uma vocalista, que também participam da trama.

Assim, é com esse encantamento mágico que começa O Livro de Tatiana: quando o pano se abre, é possível ver o livro vermelho no chão. De repente, ele começa a voar, abrindo e fechando como um bater de asas, momento em que o palco se ilumina para a primeira entrada do elenco – além do próprio Bruno Garcia, estão Dani Moreno, Maria Bia, Isabella Moreira e Lucas Lentini.

“O assunto é muito atual, nem parece que o Bruno escreveu o texto nos anos 1990”, comenta Isabella, que vive Tatiana. “E é tão bem tramado que ajuda a criança e o adolescente pensarem”, completa Maria Bia. “Acho que vai além das crianças”, raciocina Dani Moreno. “É uma reflexão sobre a vida, o que somos e o que queremos ser – enfim, sobre sonhos.”

Como é muito jovem, o próprio elenco já desfruta do maravilhamento que se espera atingir o público. “O universo da peça é encantador, eu nunca havia trabalhado com tantos elementos mágicos”, observa Lucas Lentini. “Os personagens se parecem com figuras de desenho animado criados por Tim Burton.”

O LIVRO DE TATIANA

Teatro Porto Seguro. Al. Barão de Piracicaba, 740. Tel.: 3226-7300. Sáb. e dom., 15 h. R$ 30 / R$ 50. Até 28/8

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