Latin Life
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Em Barcelona, Mikhail Baryshnikov é dirigido por Bob Wilson em 'Carta a um Homem'

Peça é inspirada na vida de Nijinsky

EFE

29 de junho de 2017 | 22h09

Mikhail Baryshnikov garante que se preocupa seriamente com sua saúde mental, tema sobre o qual ele reflete no livro Carta a um Homem, que narra a viagem do bailarino russo Vaslav Nijinsky (1889-1950) ao inferno da esquizofrenia.

“Gostaria de morrer de maneira rápida e fácil, sem perder minhas faculdades mentais, porque não existe nada mais horrível do que perder a cabeça”, disse o bailarino, coreógrafo e ator russo, de 69 anos, que vai apresentar, até domingo, 2, no Teatro Nacional da Catalunha, a peça de idêntico título, dirigida por Robert Wilson.

Carta a um Homem baseia-se nos diários do famoso bailarino russo do início do século 20, uma das figuras da dança mais consagradas da sua época, antes de ser vítima de uma doença mental. Baryshnikov disse que o livro de Nijinsky o fascina há muito tempo pela “honestidade” com que o autor abre sua alma e expõe seus pensamentos mais profundos.

A encenação da peça por Bob Wilson é uma “adaptação” que “não procura narrar a vida do bailarino”, mas está focada no texto e na “relação do artista com Deus, com a dança, com seu amante, sua bissexualidade e suas convicções pacíficas”, disse o diretor.

“Não é um espetáculo de dança, mas uma peça teatral na qual utilizo a linguagem do corpo para refletir o que Nijinsky escreve. Não o imito, interpreto suas palavras”, continua.

Baryshnikov já está há algum tempo afastado dos projetos de dança, porque, na sua idade, acredita ser mais adequado dedicar-se à produção de obras para outros bailarinos ou interpretar peças “como esta, mais teatrais”.

A versão de Robert Wilson reúne a interpretação de Baryshnikov com trechos do texto gravados e músicas de Tom Waits, Bob Dylan, Arvo Pärt, Henry Mancini e do compositor futurista russo Alexander Mosolov.

O artista aparece em cena com o rosto pintado de branco e usando um smoking, traje que Nijinsky usou quando se casou e que, no livro, tem um sentido simbólico, que faz referência ao casamento do artista com sua arte, com Deus, com a vida , a paternidade e o pacifismo.

O texto está em russo, inglês e francês, três idiomas normalmente utilizados por Nijinsky, mas, durante a temporada espanhola, terá legendas para facilitar a compreensão da plateia.

“Não tem a ver com teatro psicológico, mas teatro expressionista, muito formal e estilizado”, acrescentou o ator.

Wilson é um diretor de teatro que integra em seu trabalho disciplinas como a dança, o movimento, a luz, a escultura, a música e o texto e é famoso por ser muito perfeccionista e utilizar os atores como uma peça a mais do conjunto.

Neste caso, ele deu mais liberdade a Baryshnikov do que o habitual - revelou o dançarino - chegando a lhe pedir que contribuísse com seus “próprios movimentos”.

“Mas é claro que Bob é um diretor muito exigente, em cujas obras cada passo está coreografado, não no sentido tradicional do termo, mas porque é tudo bem calculado, de modo que voz e movimento se encaixam como em uma partitura musical”, afirmou o ator/dançarino. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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