RONALDO GUTIERREZ
RONALDO GUTIERREZ

Em 'A Profissão da Senhora Warren' surgia alternativa ao machismo dominante

Na peça de Bernard Shaw, em cartaz no Masp, irlandês deu destino não trágico às trabalhadoras das 'casas de tolerância'

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 06h00

Enquanto prostitutas morriam de tuberculose, depressão ou de violência no fim do século 19, o autor irlandês Bernard Shaw decidiu mudar a forma como essas trabalhadoras eram vistas na sociedade. Estreia nesta sexta, 11, A Profissão da Senhora Warren, no auditório do Masp, que retrata a empreendedora que administra com sucesso uma rede de bordéis – chamadas de casa de tolerância – interpretada por Clara Carvalho, que patrocina uma educação de primeira para a filha Vivie. “Naquela época, as prostitutas eram representadas como depressivas e sofredoras”, afirma a pesquisadora e idealizadora do projeto Rosalie Haddad.

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Para ela, o texto de Shaw – que também atuou como crítico de arte e teatro, ensaísta, além da militância na política – indica uma transformação ao considerar as mulheres como agentes ativos no funcionamento da sociedade. “Antes, o destino delas seria casar, viver como solteironas à serviço da família ou em empregos precários ganhando muito pouco. Qualquer outra alternativa não atrairia bons olhos”, continua.

Na peça que já teve Fernanda Montenegro no papel da filha em 1960, Warren mãe vai visitar Vivie (Karen Coelho) que mora e estuda nos arredores da Universidade de Cambridge. Com a mãe e alguns velhos amigos, a visita vai revelar segredos sobre a origem do dinheiro que mantém a filha em sua vida confortável e o ideal de família da mãe que soa tradicional demais para uma antiga prostituta. 

O encontro ganha força com a chegada do barão (Sergio Mastropasqua), do arquiteto Pread (Mário Borges), do reverendo (Claudio Curi) e de seu filho (Caetano O’Maihlan). “A peça discute o lugar da mulher nessa virada de século, quando elas ainda nem podia votar”, afirma o diretor Marco Antônio Pâmio. Ele conta que, na encenação, decidiu ambientar a peça nos anos 1950, para que o espetáculo não soasse antigo em sua representação. “A discussão é atual, então trouxemos para o século passado como algo pré feminista”, explica.

A PROFISSÃO DA SENHORA WARREN. Masp. Avenida Paulista, 1.578. Tel.: 3149-5959. R$ 50 / R$ 15. Estreia hoje, 11. Até 1º/7.

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