DANIEL SPALATO/DIVULGAÇÃO
DANIEL SPALATO/DIVULGAÇÃO

Peça 'Eigengrau - No Escuro' contempla a dor de jovens vítimas de suas próprias crenças

Texto inédito da dramaturga britânica Penélope Skinner tem direção de Nelson Baskerville

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2017 | 20h07

O que as viúvas de Zygmunt Bauman sempre explicaram, a dramaturga Penélope Skinner precisou descobrir: Nada é feito para durar. E isso incluiu o engajamento feminista da britânica.

A desilusão com o movimento que busca a igualdade entre gêneros motivou a escrita de Eigengrau - No Escuro, que estreia nesse sábado, 4, na Funarte. “A autora estava revendo as próprias crenças, tentando compreender que internamente havia discordâncias naturais”, explica a atriz Renata Calmon. 

A montagem traz quatro jovens que compartilham dois apartamentos. Inicialmente, os estereótipos contemporâneos são dados: Renata vive uma vegetariana mística. Há também um marqueteiro obsessivo (Daniel Tavares), um rapaz em luto (Tiago Real) e uma ativista do feminismo (Andrea Dupré). 

A montagem com direção de Nelson Baskerville e que estreou no Festival da Cultura Inglesa em 2016 marca o primeiro trabalho Cia Delicatessen Teatral. Para ele, o retrato dos jovens resgata uma condição muito mais real e incerta do que a precisão de termos como misoginia ou machismo. “Muitas pessoas podem definir a peça sob esses pensamentos”, continua. “Mas a compreensão não vem das palavras. Há uma emergência na relação entre esses jovem que não é definida. Tudo está fora do controle e as garantias são só formas de alivio”, explica o diretor.

EIGENGRAU - NO ESCURO

Funarte. Al. Nothmann, 1.058. Tel.: 3662-5177. Sáb., 21h; dom., 20. R$ 30 / R$ 15. Estreia hoje, 4. Até 5/3.

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