Tiago Queiroz / Estadão
Tiago Queiroz / Estadão

Duas bailarinas avaliam como as dancinhas do TikTok divertem e unem pessoas

Convidadas pelo ‘Estadão’, Thaïs França e Carolina Pegurelli contam sua relação com a rede e o que mais gostaram de ver

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2021 | 05h00

Que tal um plié perfeito antes de “travar na pose, chamar um zoom e dar um close”? Ou executar um belíssimo adágio ao som de “vai se tratar garota, sai da minha bota, rasgou minhas roupas, queimou o ‘12 mola’”? 

A reportagem do Estadão convidou duas bailarinas clássicas para avaliarem, comentarem e, principalmente, se divertirem com as chamadas dancinhas do TikTok. As bailarinas deste júri amigável e virtual são: Thaïs França, 39 anos, com passagens pelo balé do Teatro Castro Alves (Bahia) e Balé da Cidade de São Paulo (Teatro Municipal); e Carolina Pegurelli, 23 anos, da São Paulo Cia. de Dança.

Thaïs e Carolina foram forjadas na rigidez do balé clássico, mas conseguem enxergar a força de uma rede social como o TikTok - e as conexões que essa plataforma podem criar com a arte à qual elas nasceram (e estudaram) para representar. Longe dos movimentos delicados e difíceis do balé, a dupla passou algumas horas vendo bracinhos para um lado, mãozinhas para o alto e gente descendo até o chão.

“Quando eu comecei na profissão, existia essa divisão entre quem era bailarino e quem era dançarino. Hoje, as coisas mudaram. Eu acho que o TikTok ajuda a tornar a dança algo mais popular e próxima da vida das pessoas. Não existem limites de idade ou classe social para as dancinhas”, ponderou Thaïs. 

“Passei por um mês de turnê europeia, que aconteceu durante a pandemia. Eu e outros bailarinos não podíamos sair muito do hotel por motivos óbvios. Então, o TikTok era a nossa brincadeira, a nossa distração”, disse Carolina. “Gosto e tenho TikTok. Quero, inclusive, usá-lo mais. Só que o aplauso é maior do que o like. Nada substitui o frio na barriga de subir em um palco”, completou.

Dancinhas

De acordo com o relatório anual do TikTok, a plataforma contou com mais de 1 bilhão de usuários ativos em 2021. Não é raro encontrar dancinhas que ultrapassam as 300 mil visualizações ou batem na casa dos milhões. Hits como Trava na Pose, Chama no Zoom, Dá um Close e Bipolar (aquela do “vai se tratar garota...”) foram usados como trilha sonora para dancinhas em milhares de vídeos na rede social. 

Thaïs começa assistindo ao vídeo de @mc.pedrinhoofc (um dos autores de Bipolar). Nele, o MC Pedrinho tenta reproduzir os movimentos da dança que traduzem literalmente o que a letra da música dele tenta comunicar. “Já vi até criança fazendo essa dança. São movimentos simples que qualquer um pode fazer. Como não tem conotação sexual, atinge todo tipo de público”, comentou.

No TikTok do grupo Os 22 do Passinho, uma coreografia coletiva (com quase todos os 22 integrantes da trupe) chama a atenção de Thaïs. “Perceba o tanto que eles se divertem. E como os ensaios para esse vídeo devem ter sido divertidos. São 30 segundos, mas que devem ter sido muito ensaiados. Tem, inclusive, uma produção, com as meninas vestidas igual”, falou.

Thaïs ressalta a naturalidade e o despojamento de algumas danças. No vídeo de @isasena2020, mãe e filho repetem uma coreografia. “Gosto quando trazem a dança para essa coisa mais caseira. Neste vídeo, a mãe parece que está de pijama, a gente vê uma cozinha no fundo. Tudo isso aproxima a dança da vida das pessoas”, disse.

Já Carolina gosta de imaginar o processo que vai resultar em apenas 30 segundos de vídeo postado no aplicativo. “O incrível é pensar em tudo o que passa pela cabeça da pessoa que pega o celular e começa a tentar decorar movimentos... É preciso muita coordenação”, comentou. Neste sentido, a bailarina destacou o vídeo de Bárbara Simões Corrêa (@bahsimoess) - que gravou com a própria mãe uma dancinha no meio de uma famosa loja de departamentos. 

Carolina também curtiu os tutoriais que a dançarina Thaís Lima (@t_haislima) postou em seu perfil de TikTok. “Acho muito curioso quando os vídeos mostram o passo a passo da dança, usam emojis para exemplificar os movimentos. Olha, isso pode ser divertido se usado para o balé clássico também”, disse.

Momentos engraçados

Entre os preferidos de Carolina, estava um dos vídeos do perfil da Família Brancoala (@brancoala), em que pais de dois filhos tentam reproduzir uma coreografia. “Crianças são muito engraçadas. Elas são coordenadinhas e dançam melhor do que o pai”, falou. “O mais importante é que o vídeo mostra que a dança é um jeito de criar vínculo e comunicação entre as pessoas”, completou. 

 

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