Cena de 'O Capote', de Yara de Novaes. Foto: JOÃO CALDAS/DIVULGAÇÃO
Cena de 'O Capote', de Yara de Novaes. Foto: JOÃO CALDAS/DIVULGAÇÃO

Drauzio Varella comenta adaptação de 'O Capote' para o teatro

Peça com montagem de Yara de Novaes estreia nesta sexta-feira, 24, em São Paulo

Entrevista com

Drauzio Varella

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

24 Julho 2015 | 05h00

Como o senhor reage a cada leitura de O Capote?

É um conto que já li, pelo menos, cinco vezes. E, na primeira, fiquei completamente chocado. Ficou muito claro para mim a evidência da frase de Dostoievski de que todos somos filhos de Capote. Sempre gostei da obra de Gogol e, com Capote, minha admiração aumentou. 

Como avalia o texto?

É uma narrativa fácil e trata de um homem que leva uma vida cotidiana sem filosofia, o que reflete na sua situação.

Ao adaptar o texto para o teatro, o senhor fez um monólogo. Já Cássio Pires, a pedido do elenco, acrescentou dois narradores. O que achou do resultado final?

Cássio fez algo sensacional, pois, aos poucos, o espectador entende com naturalidade a presença daqueles dois narradores, que acrescentam inquietações modernas a um texto do século 19. Também fico impressionado com a interpretação de Rodolfo (Vaz) como Akaki – se esse personagem existir de fato, certamente é como o Rodolfo.

De fato, é um personagem muito rico. Como o senhor o analisa?

Ele é muito rico, certamente todos nós conhecemos mais de um Akaki na vida. Sua insegurança o faz não querer correr perigo algum. Sua opção pela sombra faz com que tenha uma rotina segura, sem ousadias. Aliás, para Akaki, viver sem qualquer ousadia é a melhor opção.

Mais conteúdo sobre:
Nikolai GogolDrauzio Varella

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.