Stephan Solon
Stephan Solon

Dramaturgo americano Dave Malloy dá detalhes de seu 'Moby Dick'

Malloy estava no Brasil para assistir a montagem nacional de seu musical 'Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812'

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2018 | 06h00

Foi uma passagem meteórica, com o perdão do trocadilho. Mas, nos quase três dias em que passou em São Paulo, o dramaturgo americano Dave Malloy se encantou com a montagem nacional de seu musical Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812, em cartaz no 033 Rooftop, do Teatro Santander, atrás do Shopping JK Iguatemi. “É maravilhoso como as palavras e as ações criadas por Tolstoi se adaptaram tão bem na versão brasileira”, disse ele ao Estado, depois de assistir à sessão de sexta, 21.

Inspirado em 70 páginas do clássico Guerra e Paz, o espetáculo encanta, de fato, pela singeleza da narrativa e pela força musical. Malloy não apenas criou as melodias e as letras como também interpretou o personagem Pierre, na fase Off Broadway. Acompanhado da mulher, Eliza Bent, Malloy depois cumprimentou o elenco, o encenador Zé Henrique de Paula e a diretora musical, Fernanda Maia.

À reportagem, o dramaturgo contou detalhes sobre sua nova empreitada, a adaptação para musical de outro clássico, Moby Dick, de Herman Melville. 

“Serão quatro atos”, afirma. “O primeiro tem o estilo de um musical da Broadway, enquanto o segundo ato puxa mais para o vaudeville. O terceiro ato tem o jazz como inspiração e é dedicado ao personagem Pip, menino que fica preso no oceano e enlouquece . E o quarto ato traz o clímax.” 

Segundo Malloy, o espetáculo tem, por ora, cerca de cinco horas de duração e a previsão de estreia está entre o final de 2019 e o início de 2020.

Profundo conhecedor da carpintaria de um musical, Malloy gosta de tramas com histórias paralelas que acabam se encontrando. “Essa é a tradição da Broadway, basta lembrar de Guys and Dolls e West Side Story.” 

Ele não é contrário ao uso de efeitos especiais, algo que vem ocupando cada vez mais espaço nas produções. “Assisti à montagem de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e gostei muito. Desde que os efeitos auxiliem a narrativa e não existam apenas para impressionar, não vejo problema.”

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