ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

'Diásporas' discute imigração com 45 atores no palco

Projeto une três companhias na luta pela sobrevivência cultural de povos da montanha, deserto e mar

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 03h00

A exemplo das placas tectônicas, os conflitos étnicos estão sempre em movimento na superfície do planeta. A pressão que desperta vulcões e cria tsunamis só ultrapassa a força da mão humana na luta por território. Em cartaz no Sesc Pompeia, o ambicioso Diásporas coloca no palco 45 atores, além de músicos e outros artistas, para investigar a dinâmica de dispersão de povos pelo mundo.

A empreitada conduzida por Marcelo Lazzaratto envolvia inicialmente a Cia Elevador de Teatro Panorâmico. Mais tarde, ficou evidente que o tema precisava se concretizar com “multidões” em cena, o que acabou unindo a Cia. Histriônica de Teatro e Os Barulhentos ao projeto, por conta de parcerias e buscas estéticas comuns.

De posse desse time, o desejo não era mergulhar na pesquisa de disputas específicas, conta o diretor. “Seria muito complexo reproduzir culturas e realidades distantes de nós. O foco era considerar o geral nos movimentos de exílio”, diz o diretor.

O próximo passo foi criar arquétipos de tribos e aldeias, como as casas da franquia Game Of Thrones - com seus emblemas, modos de vestir e de se alimentar - ou da série Avatar - A Lenda de Aang, cujas nações se organizam socialmente de acordo com os quatro elementos: água, fogo, terra e ar. No caso da peça, a identidade desses povos está ligada aos tipos de relevo de montanha, deserto e ilha.

A questão visual inspirou o convite ao carnavalesco Chico Spinoza, que assina a criação dos figurinos que incluem a mistura de conchas, redes e palha na roupa dos pescadores, capas e toucas peludas para os montanhenses e coturnos e fuligem para os mineiros do deserto. A direção musical de Gregory Slivar, organizada com instrumentos e aparatos musicais no balcão acima da plateia, executa a sonorização composta pela extensão do palco. “Desenvolvemos identidades para cada um dos povos, desde símbolos, bandeiras que os representassem, gestos particulares e movimentos de batalha, pautados pela relação com a natureza, com o que se alimentam e no que acreditam’, explica Lazzaratto.

Na peça, as histórias contadas passam pelo nascimento e instauração das três culturas, períodos de guerras que provocam o movimento de dispersão e o encontro com outras civilizações. Em uma delas, os franceses chegam ao lugar e desejam levantar construções e “civilizar” os nativos. Em outra, os EUA ocupam a região como ponto estratégico em uma guerra. Ainda em outra, conflitos internos entre tribos ameaçam a paz local, a busca por alimento e as trocas comerciais.

 

O diretor conta que as tribos vivem em épocas diferentes, mas são reunidas por uma força em comum. “São intervenções do capitalismo, que invade e transforma o modo de viver delas.” Ele acrescenta que o fluxo migratório não acaba de todo negativo, permitindo novas intersecções. “A dispersão, pode proporcionar diversidade cultural, miscigenação e convívio com as diferenças.”

DIÁSPORAS.

Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93. Tel.: 3871-7700. 5ª, 6ª, sáb., 20h, dom., 18h. R$ 40 / R$ 20. Até 4/6.

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