EPITACIO PESSOA/ESTADAO
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Deborah Colker dançará em conferência mundial sobre cidades

A bailarina se apresenta nas ruas de Nova Yok durante a inauguração do Lincoln Center Global Exchange

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

27 Agosto 2015 | 02h00

“Eu adoro os skatistas!”, explica, com entusiasmo, a bailarina e coreógrafa Deborah Colker. “Se não têm um local específico, eles decidem escorregar em qualquer corrimão. Pronto! Os skatistas inventaram um espaço específico que é a própria cidade.” 

Em encontro presenciado pelo Estado, a carioca conversou com o sociólogo e músico Richard Sennett para tratar de um novo projeto que prevê transformar o espaço urbano em um espetáculo. “Quando tinha quinze anos, comecei tocando nas estações de metrô em Nova York. Pensei que você pudesse se apresentar em um desses locais”, sugere o norte-americano que estará com Deborah na inauguração do Lincoln Center Global Exchange, em Nova York.

No dia 18 de setembro, mais de duzentos líderes em áreas como educação, mídia e negócios vão discutir e explorar caminhos nos quais a arte e a cultura possam se relacionar de maneira mais direta com as pessoas e as cidades. 

Para compor o desafio, a bailarina que dirigiu o espetáculo Ovo, do Cirque du Soleil, relembra seu Vulcão, montagem de estreia de sua companhia, em 1994.

Nele, a coreografia chamada Paixão trazia 23 casais que representavam as relações amorosas cheias de ternura, intensidade e também brutalidade. “Na cena, os casais começavam a brigar e se esbofeteavam. Acredito que isso têm grande relação com as cidades. Amor e ódio coexistem nesse espaço”, explica. 

E tal intervenção pode oferecer sua própria trilha. Os sons habituais do trânsito, telefones e equipamentos sinalizam diversas interações. “Os barulhos passam despercebidos nessa rotina. Há muita poesia nessas repetições. E é preciso se reconectar elas”, explica Sennett.

Ambos se conheceram por intermédio do diretor do festival de Edimburgo, Jonathan Mills, que referenciou a intensa relação da artista com o espaço urbano. “É impossível não participar de uma cidade”, afirma Deborah. “Tudo o que você faz interfere em você e no tempo. O que quero demonstrar é que a cidade pode se transformar em um palco no qual as pessoas podem expressar o que sentem e o que pensam livremente.”

O encontro que se dará próximo à data da 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas pretende privilegiar a discussão que relaciona ciência e tecnologia em temas como a influência da arte na saúde mental e a arte como ferramenta de comunicação no mundo globalizado.

Além de Deborah, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, está entre os convidados, bem como o presidente executivo do Google, Eric Schmidt, o maestro e violinista venezuelano Gustavo Dudalmel e o ator Michael J. Fox. 

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