Rodrigo Veneziano
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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Dario Fo mira São Francisco

Texto do dramaturgo italiano, 'Francisco, o Bobo da Corte Sagrado' chega ao palco do Centro Cultural Banco do Brasil paulistano no dia 8 de agosto, dirigido por Neyde Veneziano

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2019 | 02h00

Dario Fo (1926-2016), dramaturgo, não era bolinho. Ateu com crachá e bandeirinha em punho, tinha lá sua queda pela igreja católica. Não é à toa que várias de suas obras transitam pelos corredores do Vaticano, como O Papa e a Bruxa, ou abordam o tinhoso, como O Diabo com Tetas. De bobo ele não tinha nada – aliás, inesquecível o seu texto Francisco, o Bobo da Corte Sagrado. E é este mesmo São Francisco, nascido em Assis, na Itália, que chega ao palco do Centro Cultural Banco do Brasil paulistano dia 8 de agosto. Na peça do beato italiano está Paulinho Goulart, dirigido por Neyde Veneziano. Os ensaios de Francisco começaram por Skype no mês passado, mas esta semana estão se tornando presenciais. 

FO E MONTAGNER 

A diretora conheceu o dramaturgo italiano pessoalmente. Melhor, passou uma temporada com Dario Fo e Franca Rame, sua mulher e parceira na dramaturgia das peças, para uma série de estudos sobre a obra da dupla que resultou em um livro. “Eram duas pessoas brilhantes e sempre provocadoras”, conta Neyde. O projeto de Francisco começou há cinco anos, mas acabou sendo interrompido. Quem atuaria no monólogo seria o ator Domingos Montagner, morto tragicamente em 2016. Neyde Veneziano já havia dirigido o ator em outra peça de Fo, Mistério Buffo, por isso decidiram repetir a dobradinha. Depois da morte de Montagner, só recentemente Neyde decidiu retomar o projeto, agora com Goulart. Detalhe: Domingos Montagner e Dario Fo morreram ambos em 2016, com um mês de diferença. Montagner em 15 de setembro e Fo em 13 de outubro.  

FARTURA DE FESTIVAIS 

Este ano dois importantes festivais de teatro brasileiros completam aniversário em forma de números redondos – o que, teoricamente, poderia representar absolutamente nada. Mas tanto o FIT de São José do Rio Preto, 50 anos, como o Cena Contemporânea, de Brasília, 20 anos de existência, têm sua importância por descentralizar a produção teatral do Rio e de São Paulo para suas regiões, além de levarem atrações internacionais e de outros cantos do País. É o caso do Cena, que dentre as 14 peças do festival levará a Brasília em agosto a trupe espanhola La Zaranda para a apresentação da montagem de O Desmanche das Musas (foto acima). 

BOI VOADOR  

O projeto Boi Vagamundo, do grupo Clowns de Shakespeare, está prestes a alçar voo em duas semanas para apresentações e residências com artistas no Peru, Equador e na Colômbia nos meses de julho, agosto e outubro. A companhia busca conhecer as festas populares locais que tenham o mamífero bovino como motivo de tudo na vida. Quase poesia.

3 PERGUNTAS PARA...

Ricardo Bittencourt - 

Ator e diretor, é pai de Zeus.

 1. O que é ser ator?

É uma obsessão pelo outro, mergulho nos abismos. Mas também a capacidade de transcender e iluminar. Apoteose da exposição, o esplendor da comunicação.

2. Se não fosse ator?

Seria somente pai.

3. Como gostaria de morrer em cena?

Morrer no palco não é uma opção. Mas na cena do bacanal de As Bacantes, do Oficina, não seria um mau destino.

 

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