CLAUDIA LUCIA PALACIO/ DIVULGAÇÃO
CLAUDIA LUCIA PALACIO/ DIVULGAÇÃO

Dança perde Ko Murobushi, um dos expoentes do butô

Para especialistas, artista abriu possibilidades para se pensar naquele estilo dentro da cena contemporânea

Helena Katz, Especial para O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2015 | 19h41

No final de semana, ele dançou no Rio de Janeiro e ontem pela manhã, no aeroporto de Munique, a caminho de Viena, Ko Murobushi morreu. O choque ainda impede a compreesão do alcance desta perda.

Figura central na popularização do butô pelo mundo, Murobushi estudou com Hijikata, fundou com Akaji Maro o Dairakudakan (1970), um dos projetos de butô que mais se popularizou, viajando por todos os cantos, inclusive por são Paulo, onde mostrou Segredos da Humanidade, em 2010. Foi produtor e coreógrafo do Ariadone, o grupo exclusivamente feminino criado por Carlota Ikeda (1972), e depois lançou o seu, apenas masculino, o Sebi (1975). Reuniu os dois, e estreou Le Dernier Éden em Paris, em 1978, surpreendendo com aquela dança que, na ocasião, causava muito estranhamento.

Para Christine Greiner, a mais importante especialista brasileira no assunto, essa foi “uma experiência pioneira de butô na Europa”. Ela destaca que “Murobushi nunca interrompeu sua pesquisa solo, criando obras como Quick Silver, que abriu possibilidades para se pensar o butô na dança contemporânea”. 

Ricardo Muniz, produtor cultural e editor, foi o responsável pelas apresentações de Ko Murobushi no Brasil. A primeira aconteceu em Tokyogaky, exposição que organizou em 2008, para celebrar os 101 de Kazuo Ohno. No ano passado, o trouxe de novo, para apresentar Ritornello e o Quick Silver no Sesc Consolação e, neste mês de junho, Faux Pas no Sesc Ipiranga, em São Paulo, e Contorsions, além de Quick Silver, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Desta vez, Murobushi estava vindo da Tate Gallery, onde havia acabado de se apresentar no projeto Os 25 Bailarinos do Mundo, organizado por Boris Charmatz.

Conhecer a obra de Ko Murobushi tem uma importância inestimável, graças à ligação com outra linhagem do butô, aquela de Kazuo Ohno.

“Era o último a ter dançado e trabalhado com Hijikata. Ele conseguiu avançar a sua herança, pois tinha um jeito especial de dialogar com o espaço, pulsava nele uma energia meio animal, meio bicho. Essa coisa vinha à tona em todos os seus espetáculos porque trazia algo que parecia vir de outras sombras, de outra ancestralidade, distintas das de Kazuo, pois explorava sempre os limites entre o animal e o humano.”

Ko Murobushi comemorou o seu aniversário de 68 anos no Rio de Janeiro, no dia 14 de junho. Saiu do Brasil para trabalhar na sua nova criação, que seria uma homenagem a Nijinsky, prevista para estrear em Viena, no Festival Impulztanz, em agosto. 

 


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