AMANDA PEROBELLI
AMANDA PEROBELLI

Condephaat adia votação sobre a construção das torres de Silvio Santos ao lado do Teatro Oficina

Conselheira do órgão pediu vistas do parecer que foi aprovado pelo Iphan com novas plantas

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2018 | 13h37

O Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico) realizou reunião nesta segunda, 27, para a votação do projeto da Sisan Empreendimentos, braço imobiliário do Grupo Silvio Santos, que pretende construir duas torres ao lado do terreno do Teatro Oficina.

Na audiência, o diretor do Oficina, José Celso Martinez Corrêa, relembrou que a aprovação das torres, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ignorou o entorno e os bens já tombados no bairro da Bela Vista. Em maio, a entidade deu parecer favorável ao projeto da Sisan para erguer duas torres residenciais de 100 m de altura, entre as ruas Jaceguai, Abolição e Japurá. “Não dá para esquecer a presença da Escola Primeiras Letras, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), Casa de Dona Yayá, já reconhecidos como patrimônio. O terreno ao lado do Oficina é a última terra do Bela Vista, e esse espaço não pode perder para mais prédios”, disse o diretor.

O advogado da Sisan, Francisco Ribeiro Gago, afirmou que o motivo da audiência seria solicitar a aprovação das novas plantas apresentadas anteriormente ao Iphan e agora entregues ao Condephaat. “O novo projeto prevê menor interferência no Teatro Oficina, diante da proteção no tombamento do Iphan. O janelão e as atividades teatrais não serão prejudicadas.” 

O advogado do Oficina afirmou que já apresentou recurso ao Iphan para revisão do projeto da Sisan. “Há uma decisão pendente a respeito do tema, que precisa ser revista”, disse Marcio Sotelo. 

A pauta iria para a votação, mas a conselheira Sarah Feldman, representante pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), questionou o parecer sobre as torres e reiterou a importância histórica e cultural do bairro, que inclui diversos bens tombados. Ela afirmou que o contexto da região não foi levado em conta na elaboração do parecer técnico, e pediu vistas do documento. “O Condephaat foi o primeiro órgão a tombar o Oficina, numa decisão pioneira, diluindo as fronteiras entre a materialidade do edifício e as práticas sociais. O projeto apresentado desconsidera a relação dos demais imóveis, também reconhecidos protegidos.” A conselheira tem prazo de 30 dias para apresentar resposta, prorrogáveis por mais trinta dias, informou assessoria de comunicação da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.