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Companhia Sankai Juku mostra em SP espetáculo 'Meguri'

Grupo fundado pelo mestre do butô Amagatsu Ushio já passou por 45 países

Helena Katz /ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2016 | 03h00

A Temporada de Dança 2016 do Teatro Alfa apresenta Meguri – Mar Exuberante, Terra Tranquila, a mais recente criação da companhia japonesa Sankai Juku. São Paulo, onde o grupo vem pela sexta vez, faz parte das mais de 700 cidades que consagraram o grupo que Amagatsu Ushio fundou em 1975.

Amagatsu conseguiu um feito e tanto ao formular uma marca comercialmente imbatível, aprovada em 45 países por mais de 4 décadas. Foi “docilizando” as questões que estavam em Kinkan Shonem – A Semente de Kunquat (1978), a obra que lançou internacionalmente a companhia, na qual fazia um duo com um pavão, e que abriu o Carlton Dance Festival de 1988, aqui em São Paulo.

Com competência, transformou em espetáculo as ficções sobre o Oriente que a cultura de massa nos ensina. Terminou produzindo uma assinatura na forma de uma estetização etnográfica, composta pela lentidão associada à religiosidade zen, mantendo, mas apenas como imagem, os corpos pintados de branco, silêncios e sombras, os esgares e as mãos contorcidas do butô.

Soube transformar luz e música em verdadeiros operadores de emoções. Com ambos borda o que se vê no palco, conduzindo os que assistem à sensação de um mergulho em outro tempo e espaço. Tem habilidade inegável para realizar o que propõe. Quem quiser se preparar para Meguri, que tem um cenário inspirado em criaturas do mar fossilizadas, dos tempos paleozoicos, encontra 20 minutos no site do Théâtre de la Ville, que coproduz todas as suas criações desde 1981 (www.theatredelaville-paris.com).

Amagatsu sempre declarou acreditar na universalidade da arte e para atingi-la evita o cotidiano e busca o que chama de “incrível história de lutas e dinâmicas que se desenvolveram na Terra e no universo”. Meguri, em japonês, descreve o que se move segundo uma ordem pré-descrita, cabendo, portanto, como referência para as transições das estações ou para os ciclos da história da Terra.

Nesta obra, diz que gostaria que percebêssemos a “fina linha que separa o presente e um passado que não podemos imaginar”. Em entrevista por e-mail, aqui resumida, explica como supõe que isso pode acontecer: “Nós planejamos a parede gigante de Meguri como uma metáfora dessa linha fina, considerando que milhões de anos atrás estes animais, que pareciam flores e viviam nas profundezas dos oceanos, eram largos e compridos, e que hoje a maioria deles se transformou em fósseis, enquanto, ao mesmo tempo, alguns deles continuam a existir nos oceanos”.

Indagado se concorda com os que dizem que ele desenvolveu uma ‘fórmula’ que aplica a assuntos distintos, responde que cada artista tem uma espécie de “selo”. “Alguns dizem que minhas obras são como diferentes páginas do mesmo livro. Sim, meu estilo corresponde ao meu modo de trabalhar. Este é o meu estilo. O termo ‘fórmula’ é pejorativo? Não o sinto assim.”

Conta também da sua metodologia de trabalho: “Como eu crio uma peça nova a cada 2 ou 3 anos, tomo notas no intervalo, muitas notas do que sinto durante esse processo. Algumas são apenas impressões, outras são referências aos livros que leio, algumas são questões que pergunto a mim mesmo. Depois, me sento e olho todas. Meu trabalho é o de eliminar as que não são mais relevantes para a minha inspiração. Vem, então, o momento de construir a obra e eu, é claro, uso o meu vocabulário coreográfico e sintaxe, e proponho aos meus dançarinos (e a mim mesmo) a experimentar cada frase coreográfica como um todo e como parte do trabalho. Quando faz sentido para mim, eu mantenho e se não faz, elimino...”.

E defende que faz butô, sim: “Não há um júri acadêmico que diga o que é ou não butô! Não somos um grupo formal de artistas com censores ou guardiães da tradição. Dos fundadores Hijikata e Ohno, muitos coreógrafos desenvolveram o próprio modo de dançar butô. É isso o que faz do butô uma dança contemporânea”.

SANKAI JUKU. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, tel. 5693-4000. Sáb., às 20h; dom., às 18h. R$ 50/ R$ 180. 

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