Renato Mangolin
Renato Mangolin

Companhia carioca conta a história da Revolução Russa

Em cartaz no Rio, peça ‘10 Dias Que Abalaram o Mundo' celebra 25 anos do grupo Ensaio Aberto e tem participação do público

Igor Giannasi / RIO , O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2017 | 04h00

Uma questão perseguiu o diretor Luiz Fernando Lobo, da companhia carioca Ensaio Aberto, quando, há pouco mais de um ano, resolveu preparar uma homenagem ao centenário da Revolução Russa de 1917: como representar a massa de operários insatisfeita que saiu às ruas para protestar contra as condições de trabalho, resultando em um movimento que, anos depois, culminaria na União Soviética? A resposta foi o próprio público representar esse papel. 

“Essa ideia básica surge a partir de uma frase do John Reed em que ele diz que, embora tenha tido lideranças muito importantes, como Lenin e Trotsky, a revolução foi feita pela massa, pela multidão”, afirma Lobo, citando o jornalista norte-americano que reportou, no livro 10 Dias Que Abalaram o Mundo, o momento histórico que influiu diretamente nos rumos do século 20. A publicação inspirou o espetáculo 10 Dias Que Abalaram o Mundo, que ocupa a sede do grupo, o Armazém da Utopia, na zona portuária do Rio, e tem suas últimas apresentações até segunda-feira, 30.

Trazendo diversas linguagens do teatro, como épico, documentário, musical e até de bonecos, a peça contextualiza fatos históricos imediatamente anteriores à Revolução Russa, como a situação dos trabalhadores durante o reinado de Nicolau II, a abdicação do czar russo na Revolução de Fevereiro, com a tomada do governo provisório, e a ascensão do líder Vladimir Lenin ao poder na Revolução de Outubro (novembro, no calendário ocidental).

O próprio armazém – com 5 mil metros quadrados, tijolos à mostra e grandes vigas de sustentação – tem características que remetem a fábricas russas do início do século passado e que serviram bem às intenções grandiosas do diretor. Em sua terceira parceria com o Ensaio Aberto, o premiado cenógrafo J.C. Serroni projetou uma imensa rua no meio do galpão onde os revolucionários fazem suas marchas. 

Sempre de pé, o público percorre o espaço seguindo a movimentação dos personagens por quase três horas. “O espetáculo não é fácil, isso também foi uma opção, uma opção difícil, mas não fizemos concessão”, diz Lobo. “Se ele fosse menor, poderia ser mais palatável. Só que para ter duas horas, ou a gente não contava parte da revolução ou pulava fatos fundamentais. Optamos por não simplificar.”

Mesmo com a estrutura grandiloquente, a intenção da companhia é viajar com a produção no ano que vem. Já há um acerto para apresentações no Maranhão, mas Lobo também quer viabilizar uma temporada em São Paulo. Para isso, pretende buscar uma parceria com o Sesc. “Levar esse espetáculo para um teatro normal eu não quero.”

Mais conteúdo sobre:
Revolução Russa 1917

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.