Jamar Hutcheson
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Com espetáculos que unem Oriente e Ocidente, Balé Nacional da China está de volta ao Brasil

A turnê brasileira de Lanternas Vermelhas, do Balé Nacional da China, começa no Rio de Janeiro e depois vem a São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte

Beatriz Bulla  , O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2019 | 03h00

WASHINGTON - Nove anos depois, o Balé Nacional da China volta ao Brasil com a superprodução de Lanternas Vermelhas. O espetáculo, uma adaptação do filme de 1991 indicado para o Oscar de mesmo nome, ficou conhecido como o teatro em dança dos chineses, devido à dramaticidade e aos ares de produção cinematográfica da performance. Não é à toa. O diretor de Lanternas Vermelhas dos palcos é o mesmo das telas: o premiado Zhang Yimou, que também fez a direção-geral do espetáculo de abertura da Olimpíada de Pequim, em 2008. Antes de ir ao Brasil, Lanternas Vermelhas parou na capital dos Estados Unidos para apresentações no Kennedy Center em celebração ao ano-novo chinês.

Com a comunicação possibilitada por uma tradutora, a diretora artística do Balé Nacional da China, Feng Ying, disse em entrevista ao Estado que a inspiração no filme, mundialmente conhecido, ajuda o público ocidental a se familiarizar com a história. Com dois atos, o enredo se passa nos anos 1930, quando uma jovem é forçada a ser a terceira esposa de um senhor feudal. A adaptação ao balé traz uma história de amor, ciúme e revelações, tendo no primeiro ato elementos da arte e ópera chinesas, para ambientar o público, e no segundo os momentos de clímax da história. 

Lanternas Vermelhas é uma mescla do clássico com o moderno, das tradições orientais e ocidentais. Passos de balé clássico russo dividem a cena com a Ópera de Pequim e música folk nacional.

A combinação certamente foi possível contando com a coreografia original de Xin Peng Wang, um chinês que se mudou para a Alemanha para estudar dança moderna, e música de Qigang Chen, chinês que vive na França desde 1982.

Com jogo de luz e sombra e sons, Yimou faz um filme acontecer nos palcos em meio aos bailarinos. É o caso de uma das cenas em que, para retratar violência, um grupo marcha no palco e golpeia uma parede de lona branca com grandes tacos manchados de vermelho. Cores e barulhos fazem o público sentir o cenário sangrento.

“É um espetáculo muito único na demonstração da fusão da dança ocidental e oriental. Nossos bailarinos têm formação de dança ocidental clássica muito sólida e muito controle da sua linguagem corporal. Contudo essa é uma história chinesa e queremos trazer elementos chineses”, afirma Feng. Como fazer isso? “Os bailarinos têm no sangue a maneira chinesa de expressar seus sentimentos então é muito sutil, uma expressão muito fina através dos movimentos desses dançarinos”, afirma. Feng se formou bailarina na Academia Nacional de Pequim há quase 40 anos e hoje ocupa o posto mais alto da companhia de Balé Nacional. 

Fundado em 1959, nos anos de Mao Tsé-tung, o Balé Nacional da China é uma companhia estatal que nasceu mirando o modelo soviético de dança clássica. De lá para cá, o Nacional se modernizou e incluiu espetáculos de dança moderna e contemporânea. No início dos anos 2000, com os elementos da cultura chinesa e a mescla entre o clássico e o moderno, o Lanternas Vermelhas ajudou a consagrar mundialmente a companhia.

A ideia de colocar Lanternas Vermelhas nos palcos foi do então diretor do balé, Zhao Ruheng, em conjunto com Yimou. Ambos queriam uma novidade ousada. A primeira apresentação da adaptação do filme aos palcos foi na China, em 2001.

Em 2010, o espetáculo veio ao Brasil. Segundo Feng, a calorosa recepção dos brasileiros a fez ir embora sabendo que deveria voltar. “Decidimos ali que o público brasileiro gostaria de ver o espetáculo de novo e nós gostaríamos de apresentar novamente, era uma decisão mútua”, afirma a diretora. 

Em Washington, a plateia aplaudiu a apresentação de pé. Feng conta que a reação é bem diferente da que a plateia chinesa adota quando fica satisfeita com um espetáculo. “O público chinês é mais reservado e eles não se levantam todos juntos para aplaudir”, afirmou. Ela diz se lembrar que no Brasil a plateia é calorosa “como num jogo de futebol”. 

Para o País, o Balé Nacional da China levará também o clássico O Lago dos Cisnes, do compositor russo Tchaikovski, na versão coreografada por Natalia Makarova. A intenção é mostrar aos brasileiros as técnicas de dança clássica da companhia. Os integrantes do Nacional passam antes pela Academia de Dança de Pequim, onde treinam balé clássico.

De acordo com a diretora artística, o clássico exige altos requisitos das dançarinas mulheres que fazem uma das coreografias em grupo. “É um bom teste para as técnicas delas. Podemos apresentar não só um espetáculo maravilhoso com dança original chinesa como também um clássico para o público brasileiro”, disse ainda Feng.

A turnê brasileira começa no Rio de Janeiro e depois vai a São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. Na capital paulista, as apresentações vão ocorrer entre 29 de maio e 2 de junho, no Credicard Hall.

O que Feng espera encontrar no Brasil? “Quero ver o calor do público brasileiro de novo, eles foram muito hospitaleiros e calorosos conosco. Espero que possam nos receber de novo como se estivessem em um jogo de Copa do Mundo”, acrescentou a diretora artística do Balé Nacional da China, Feng Ying.

 

Balé Nacional da China

Credicard Hall. Av. das Nações Unidas, 17.955. ‘Lanternas Vermelhas’, 4ª (29/5) e 5ª (30/5), 21h. ‘O Lago dos Cisnes’, sáb. (1º/6), 21h, e dom. (2/6), 15h. R$ 100 a R$ 350 

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