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Coletivo artístico invade ocupação teatral no Anhangabaú

Temporada realizada em passagem subterrânea é interrompida após destruição do palco e furto de equipamentos

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2015 | 03h00

O grupo A Motossera Perfumada registrou boletim de ocorrência, na tarde de ontem, 16, em decorrência do furto de equipamentos e dinheiro na passagem subterrânea na Rua Xavier de Toledo, no Anhangabaú, palco de seu espetáculo Aquilo que Me Arrancaram Foi a Única Coisa que Me Restou. A montagem estreou durante a recente Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo.

O grupo cumpria temporada no espaço cedido pela subprefeitura da Sé e direção do Museu do Theatro Municipal quando encontrou o portão com cadeados arrancados, e camarins e palco revirados.

No domingo, 15, o Coletivo Laboratório Compartilhado TM13 divulgou uma carta aberta na qual assumia a invasão do Museu do Theatro Municipal. Na carta, o coletivo reivindicou o espaço como sua nova sede, rebatizando-a de Quilombo Afroguarany Anhangabaroots. Em trecho, declara “repúdio ao empréstimo e aluguel do espaço público do Museu do Theatro Municipal para alguns grupos de teatro e bandas de fora da cidade e multinacionais como Warner e WBO sem conhecimento publico, sendo que para outros grupos é tão difícil o acesso. Por isso ocupamos e resistiremos!”.

Para o diretor de A Motosserra Perfumada, Biagio Pecorelli, foi uma surpresa ser desalojado por um grupo artístico. “Enquanto existem tantos exemplos de teatros que perdem seus espaços para a especulação imobiliária, de repente fomos invadidos por artistas que dizem ter um pauta semelhante a nossa, em prol de ocupações artísticas”, explica. “O equívoco deles está em invadir, roubar e danificar os equipamentos.”

No dia seguinte, o grupo retirou o cenário, figurinos e demais equipamentos. “Também comunicamos à subprefeitura e ao Theatro Municipal o acontecido e que não somos mais os responsáveis pelo local.”

O restante dos aparatos foi levado e armazenado em teatros parceiros.

Em reunião com a Cooperativa Paulista de Teatro, A Motosserra Perfumada ainda cogita a ideia de realizar uma apresentação em um outro espaço como demonstração de resistência. “Não somos contra esse grupo”, explica o Pecorelli. “Nosso posicionamento é que não houve diálogo algum. Eles estiveram em uma de nossas sessões, mas não nos procuraram para dialogar, além de entrar no espaço de maneira violenta. Por enquanto, estamos avaliando os prejuízos.”

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