TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Classe teatral pede prioridade para Prêmio Brasileiro de Teatro

Representantes da Cooperativa de Teatro conversaram com Juca Ferreira para criar políticas nacionais de cultura

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

30 Janeiro 2015 | 18h40

Durante sua primeira visita oficial a São Paulo depois de empossado como ministro da Cultura, Juca Ferreira recebeu integrantes da classe teatral paulistana na quinta-feira, no escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista. 

Na ocasião, a Cooperativa Paulista de Teatro (CPT) estava representada pelo seu presidente, Rudifran Pompeu, e por Pedro Felício. Também estavam presentes Roberto Rosa, representante do Fórum do Interior, Litoral e Grande São Paulo e um dos fundadores do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, o DJ Eugênio Lima, representando o Movimento de Preservação dos Territórios Culturais.

Segundo Pompeu, o encontro foi solicitado pela CPT, que queria conversar com o ministro antes da consolidação das políticas do MinC. A ideia, que visava a discutir as artes cênicas como um todo, foi prontamente atendida pelo Ministro, que já tinha um contato prévio com a classe quando atuou como secretário municipal de Cultura.

“A parte mais importante é que começamos uma interlocução que vai durar todo o mandato”, diz Lima, afirmando que a ocasião foi apenas um primeiro encontro para planejar políticas públicas que devem se firmar nos próximos quatro anos.

Após selarem um compromisso mútuo de interlocução permanente entre a classe e o ministério, os presentes abordaram uma possível reativação do Prêmio Teatro Brasileiro. Discutida entre 2010 e 2011, a iniciativa se assemelha ao Prêmio Zé Renato, que, com sua primeira seleção no ano passado, tem o objetivo de apoiar a produção teatral paulistana com até R$ 200 mil por projeto. Após tramitar pelo Congresso como um Projeto de Lei autônomo, o Prêmio Teatro Brasileiro virou um artigo do Programa Nacional de Fomento à Cultura (Procultura), o que atrasa o andamento do processo. 

“Queremos que o Prêmio seja priorizado porque, mesmo que, em um primeiro momento, ele seja um programa de governo, vai modificar rapidamente o mecanismo de produção cultural de grupos do Brasil inteiro”, diz Lima, esperando que, um dia, a iniciativa funcione como lei, tornando-se uma política de Estado aos moldes da Lei Municipal que instituiu o Programa de Fomento ao Teatro.

Segundo Lima, o Prêmio possibilitaria a nacionalização de um programa voltado para as artes cênicas, respeitando as características de cada região. “Existe, por exemplo, a questão da região amazônica, que sempre recebe menos recursos do que o eixo Rio-São Paulo, mas tem um custo de produção proporcionalmente muito maior”, aponta Lima.

O grupo também abordou a ideia criar uma política pública nacional voltada para as artes cênicas com foco em seus diferentes segmentos. “Precisamos de uma política que englobe os teatros de grupo, de pesquisa, o teatrão, que é mais de entretenimento”, diz Lima. Segundo ele, Ferreira se mostrou aberto às possibilidades e falou sobre os procedimentos e burocracias do ministério.

Questionado sobre a influência da classe teatral paulista na política nacional, Lima diz que não existe um pensamento corporativo que beneficie o Estado de São Paulo. “Queremos um projeto nacional, mas temos a experiência da Lei do Fomento. Além disso, a CPT é a maior cooperativa de teatro da América Latina e deve ser ouvida.”

Mais conteúdo sobre:
Teatro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.