Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Cinco lições do compositor de musicais Andrew Lloyd Webber

Aos 70 anos, o músico de sucessos como 'O Fantasma da Ópera', 'Evita' e Cats', lança o livro de memórias 'Unmasked'

Joshua Barone  , The New York Times

25 Março 2018 | 06h00

O compositor Andrew Lloyd Webber sabe exatamente o que se pensa dele. Em seu livro de memórias Unmasked, lançado pela Harper Books, o compositor de O Fantasma da Ópera e outros inesquecíveis musicais da Broadway cita exaustivamente resenhas negativas de seus shows.

Gostando ou não dele, você provavelmente vai ouvir muito o nome de Lloyd Webber neste mês. O lançamento do livro coincide com o seu 70.º aniversário, na quinta, 22, e com o lançamento de compilação de sua obra num álbum de quatro discos; no dia 28, a NBC apresenta o documentário Andrew Lloyd Webber: Tribute to a Superstar e no fim de semana da Páscoa transmite ao vivo Jesus Cristo Superstar; e uma resenha da música do compositor para teatro, com o título de Unmasked, será apresentada no Paper Mill Playhouse em setembro. 

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Embora o livro seja um calhamaço de 500 páginas, cobre a carreira de Lloyd Webber apenas até 1988. Deixa de fora sua briga com Patti LuPone só recentemente encerrada, sua doença e a infeliz sequência de Phantom. Até agora, Lloyd Webber não falou em lançar um segundo volume de memórias. Unmasked, contudo, já conta muitas histórias. Aqui vão cinco delas.

Em Londres, ele levava o gato para passear 

Lloyd Webber cresceu num apartamento sempre cheio de gente. Um dos frequentadores era sua tia Vi, que dizia ser autora do primeiro livro de culinária gay. A família tinha um gato, Perseus. Aos 7 anos, Lloyd Weber começou a passear por Londres com o gato preso numa coleira. Anos depois, Perseus estava moribundo e Lloyd Webber levou-o para passear, mas Perseus não gostou do trânsito e quis voltar para casa. No dia seguinte, morreu. Lloyd Webber diz no livro que o musical Cats é filho de Perseus e do livro de T.S. Eliot Old Possum’s Book of Practical Cats

Ele é dono de parte de uma montanha 

Quando a carreira de Lloyd Webber decolava, um contador criativo o persuadiu a comprar uma encosta de montanha no País de Gales para reduzir o imposto a pagar investindo em florestas. Lloyd Webber insistiu em plantar árvores nobres, mas aí a floresta pegou fogo. Hoje, o seu conselho para quem quer pagar menos imposto é o seguinte: “Não se meta com silvicultura”. 

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Quase fez ‘Thomas a Locomotiva’ 

Um dos livros favoritos de Lloyd Webber na infância foi Thomas, a Locomotiva, sobre “uma valente locomotiva britânica, pau para toda obra”. Enquanto trabalhava em Evita, ele decidiu transformar a história da locomotiva numa série animada de TV. Mas o projeto não decolou. Lloyd Webber não reivindicou os direitos sobre a série, que virou sucesso narrada por Ringo Starr. Mais tarde, ele acabaria criando o próprio “trem musical”: Starlights Express. Mas a característica pau para toda obra de Thomas não foi esquecida e hoje está incorporada ao Really Useful Group, a corporação que dirige o império de Lloyd Webber.

Por pouco ele não foi Amadeus 

O cineasta Milos Forman ofereceu a Lloyd Webber o papel de Mozart em seu filme Amadeus. Ao compreender que a oferta era mesmo para valer, Lloyd Webber entrou em pânico e pediu a Trevor Nunn, diretor de Cats, que o tirasse da enrascada. Nunn o aconselhou a dizer que, embora honrado com o convite, só poderia aceitar se toda a música de Mozart no filme fosse substituída por suas composições. Na reunião com a equipe de Forman, Lloyd se comportou como uma diva exigente. Quem socorreu o compositor foi o próprio Forman: “Acho que ele está dizendo que não quer o papel”. 

Em outro universo, Liza Minnelli era Evita 

A adaptação de Evita para o cinema estava em andamento anos antes de Madonna cantar Don’t Cry for Me Argentina na exuberante versão de Alan Parker de 1966. Liza Minnelli poderia ter sido Evita, uma vez que Lloyd Webber considerou seu teste “marcante”.

Unmasked está cheio de tipos que dão aos musicais de Lloyd Webber características de universo paralelo. Bette Midler quase foi a estrela de Jesus Cristo Superstar. Twila Tharp poderia ter coreografado Cats – caso não odiasse a música. Judi Dench era a Grizabela original do musical, mas distendeu o tendão de aquiles antes da pré-estreia. E Alan Jay Lerner, uma lenda da Broadway, deveria fazer as letras de O Fantasma da Ópera, mas em 1986, dias antes de apresentar seu plano de trabalho, soube que tinha câncer no pulmão. “Falo em breve com você”, escreveu ele a Lloyd Webber, “e espero que possamos trabalhar juntos”. Jay Lerner, porém, morreria naquele mesmo ano. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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