Carlos Gueller
Carlos Gueller

Cia. La Mínima festeja 25 anos com mostra gratuita

Trupe de circo e teatro apresenta espetáculos de seu repertório, de 7 a 15 de maio, o Centro Cultural São Paulo

Entrevista com

Fernando Sampaio

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2022 | 14h53

Criada por Fernando Sampaio e Domingos Montagner (1962-2016), a companhia La Mínima completa 25 anos agora em 2022. Claro que a data, apesar dos percalsos pelo meio do caminho, não poderia passar sem uma devida comemoração. Assim, de 7 a 15 de maio, o público será presenteado com uma mostra gratuita com espetáculos do seu repertório no Centro Cultural São Paulo (CCSP).  Além de Sampaio, estão na trupe Filipe Bregantim, Fernando Paz e Marcelo Castro. 

A ordem das apresentações será a seguinte: neste sábado (7), 21h, e domingo (8), 20h, a companhia encena o seu já clássico espetáculo A Noite dos Palhaços Mudos (2008), que é uma adaptação dos quadrinhos assinados pela cartunista Laerte para o teatro. Nele, os conflitos entre as intolerâncias urbanas e o universo irreverente do palhaço.  

O espetáculo À La Carte (2001) também será encenado no domingo agora, dia 8, 16h, mas terá ainda sessões em 14 e 15 de maio, 16h. No palco, os atores utilizam resgatam o valor do palhaço como observador crítico do comportamento humano.  

Também no fim de semana que vem, dias 14, 21h, e 15, 20h, será a vez de Ordinários (2018), que mistura teatro, circo e humor. Nele, três soldados seguem ordem em uma missão de guerra - um deles é metido a valente, outro é muito atrapalhado e o terceiro, um covarde. 

Sobre os 25 anos da Cia. La Mínima e essa comemoração, o ator e palhaço Fernando Sampaio respondeu algumas perguntas do Estadão, confira. 

Chegar a 25 anos de atividade, como vê essa caminhada? Rendeu bons frutos? 

Temos muito orgulho de nossa trajetória. Com os espetáculos criados, muitos ainda ativos, ou seja, eles ainda circulam por espaços abertos e fechados, além de participações em Festivais que sempre são oportunidade de fazer amizades e renovar nosso olhar sobre as artes. Muitos frutos colhidos, os melhores estão no nosso coração, nas relações que fazemos e isso nos dá vontade de manter-nos ativos. 

Como são os espetáculos que vão apresentar? São do repertório do grupo, terá alguma novidade? 

Sim, faremos uma mostra do nosso repertório no Centro Cultural Vergueiro, com os espetáculos de sala: À Lá Carte, primeiro espetáculo de sala da Cia; A Noite dos Palhaços Mudos, espetáculo muito importante e transformador na nossa história; e Ordinários, mais recente produção de sala, autoria de Newton Moreno. Nesta primeira fase das comemorações dos 25 anos estamos circulando com os espetáculos do repertório. A partir do segundo semestre começaremos a montagem de um novo espetáculo com os artistas da companhia de autoria de Newton Moreno e direção Sandra Corvelone e direção musical de Marcelo Pellegrini, além de outros atores e atrizes convidados.

Essa parceria com a Laerte, como surgiu essa ideia? Como foi o resultado dessa união?

Conhecemos a Laerte no começo dos anos 1990, pois dávamos aula para a filha dela. Desde então começou a amizade e já falávamos de montar A Noite dos Palhaços Mudos - que estreou em 2008 -, mas antes disso ela já participou como autora, desenhista ou roteirista no desenvolvimento de espetáculos como Piratas do Tietê (2003), Luna Parke (2002), Atlhetis (2011). É curioso, ela consegue traduzir muito o que a gente pensa para cena e estética.

O La Mínima é um grupo que preserva a arte circense, o que vocês fazem para que esse objetivo se mantenha?

O LaMínima tem origem numa Escola de Circo e sempre admirou muito a tradição, assim como nossos mestres, como por exemplo Roger Avanzi, o Palhaço Picolino. Acredito também que o fato de circularmos muito, nos mais diferentes locais, grupos e contextos nos ajuda a transmitir o que sabemos, renovar os nossos conhecimentos e jeitos de fazer, isso mantém a arte circense em movimento. Fora isso, somos parte de um coletivo maior, que conduz o Circo Zanni, agora montada e com sede fixa no município de Cotia.

Cada apresentação o Domingos Montagner é lembrado, tem como estar no palco e não sentir a presença dele?

 A gente sempre sente a presença dele, ele é sempre lembrado. Seja nos palcos em espetáculos, também criados por ele ou mesmo no nosso galpão nos processos de criação dos novos espetáculos. Para nós isso acaba sendo muito fortalecedor para a continuidade da Cia. Ele é onipresente.

 

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