MAÍRA RIBEIRO
MAÍRA RIBEIRO

Cia dos Atores celebra 30 anos com antenas ligadas

Em 'Insetos', Jô Bilac dá voz a borboletas, baratas e gafanhotos para captar momento de crise no mundo

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 06h00

A Cia dos Atores é o tipo de grupo que amadureceu rindo. Desde a fase de experimentação nos anos 1990 – com textos de Heiner Müller e Peter Weiss, e dirigidos por Enrique Diaz, até trabalhos recentes como Conselho de Classe – ter visão irreverente de uma obra é mais importante do que reproduzi-la. 

A companhia comemora 30 anos com a estreia neste sábado, 7, de Insetos, no CCBB. Como na trajetória do grupo, o texto de Jô Bilac fornece parte do humor. “Dei personalidade a alguns insetos para criar um ponto de vista diferente sobre temas da nossa sociedade”, aponta o autor. O elenco de bichos vai de borboletas narcisistas, um louva-a-deus opressor até uma barata revoltada com o bullying praticado por outras espécies. Para o diretor da montagem, Rodrigo Portella, a peça não traz uma história a ser contada e é composta de quadros. “Os atores criam situações estranhas para repensar os modos de organização pautados em beleza, medo e ódio.” 

No trabalho anterior – o premiado Conselho de Classe (2013), com texto de Bilac e direção da saudosa Bel Garcia, morta em 2015, – cinco atores interpretam típicas professoras de uma escola pública no Rio. A peça já parecia prever o debate sobre a educação com a ocupação de mais de mil escolas pelos secundaristas no Brasil, em 2016.

Segundo Portella, ao longo das três décadas, a Cia dos Atores fez da flutuação dos parceiros parte de sua diversidade criativa, seja na afinidade dos artistas convidados para determinados espetáculos, como é o caso de Portella, ou na ausência temporária dos integrantes para seus projetos independentes. “Nessa peça, a polifonia é o que constitui a criação do coletivo.” 

+ Juntos, a cia. dos atores e os fofos encenam

Além dos insetos e seus zumbidos, a peça traz uma bailarina que capta a urgência das manchetes no Rio e no mundo. “Ela retoma a insegurança de famílias que deixam seus países em busca de um lugar mais seguro para viver e a morte diária de jovens e crianças, vítimas de violência, por aqui.”

INSETOS

Centro Cultural Banco do Brasil. R. Álvares Penteado, 112. Tel.: 3113-3651. 4ª, 5ª, 6ª, sáb., 2ª, 19h, dom., 18h. Estreia sáb. (8).  

R$ 20. Até 20/8. 

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