LIGIA JARDIM/DIVULGAÇÃO
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Cia Delas prende o fôlego em 'O Mergulho' e dá salto coletivo

Montagem conecta três mulheres vivas e uma morta nas profundezas da obra ‘Hotel Mundo’, da escocesa Ali Smith

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 04h00

O teatro pode ser comparado aos acidentes e tragédias, pois pode afetar e unir a vida de muitas pessoas. E é o que ocorre no romance da escritora Ali Smith. A morte de uma das camareiras do hotel acaba por conectá-la a outras pessoas.

A direção de Silvana Garcia veio a convite da Companhia Delas de Teatro, que celebra seus 14 anos com O Mergulho, que estreia nesta quinta-feira, 15, no Viga Espaço Cênico. “Gosto muito de trabalhar a partir da cena. O foco foi construir as suas identidades”, explica a ganhadora do Prêmio Shell 2014 por Não Vejo Moscou da Janela do Meu Quarto.

Antes disso, o elenco já trabalhava com o dramaturgo Cássio Pires na escolha das figuras e na composição de suas vozes. Para uma companhia composta apenas por atrizes, a escolha de um texto já surge como um desafio. “Sempre há uma dificuldade de se encontrar peças só para mulheres. E, nesse livro, encontramos várias”, explica a atriz Julia Ianina, que vive uma jornalista que está fazendo uma matéria sobre o hotel. 

Após compartilhar a obra com o elenco, o próximo passo foi improvisar cenas com algumas personagens. A irmã da camareira e a dona de uma relojoaria completaram o time. “Existem histórias paralelas, mas essas quatro mulheres nos ajudaram a contar a narrativa principal.” A diretora Silvana explica que “com o passar do tempo, algumas vozes ganharam mais relevância para o palco”.

No enredo, antes da morte da camareira, a moça vai até a relojoaria e deixa um relógio com a dona. “Elas tinham uma paixão compartilhada, mas que, por algum motivo, não era vivida”, conta Julia. 

Além de buscarem respostas para o acidente fatal, cada mulher, então, investiga a si mesma. A falecida, por sua vez, tenta reconstituir as últimas lembranças quando ainda em vida. 

Silvana adianta que não se trata de uma presença espírita, tampouco psicológica. “É algo surreal, fantástico. A camareira está tão viva quanto as outras.”

O MERGULHO. Viga Espaço Cênico. Rua Capote Valente, 1.323, Pinheiros. 5ª, 6ª e sáb., 21h; dom. 19h. R$ 20. Até 25/10. Reestreia 10/11. 4ª e 5ª, 21h. Até 10/12.

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