Rômulo Juracy/Divulgação
Rômulo Juracy/Divulgação

Cia astraliana mostra seu teatro essencial na peça 'The Mother'

Companhia Kropka Theatre encena obra do polônes Witkiewicz

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2015 | 19h37

BRASÍLIA - Para o artista polonês Stanislaw Ignacy Witkiewicz (1885-1939) a arte não deveria tentar resolver problemas sociais. Uma vez que o mundo contemporâneo arranca a sensibilidade dos indivíduos, o teatro teria a função de fundir os sentidos auditivos e visuais. Com isso, deformar livremente a realidade. E o dramaturgo, pintor, poeta e fotógrafo foi vítima dessa realidade. Enquanto fugia da invasão do exército vermelho de Stalin, o também oficial do exército russo cometeu suicídio.

Tal deformação proposta ainda não tocou a realidade brasileira. Ao menos não pelo idioma, já que não existe qualquer obra traduzida para o português. Agora, Witkacy ganha montagem de The Mother (A Mãe) nos 20 anos do festival Cena Contemporânea em Brasília. A atriz polonesa Jolanta Juszkiewikcz trata de encarnar uma mulher que compartilha com a plateia sua relação de exploração emocional do filho e marido.

O texto é marcado por o que o autor chama de forma pura no teatro. Diferentemente de pontes e carros, o que ele chama de obras utilitárias, a arte se constrói para além disso, de maneira independente. Por não se preocupar com a lógica das narrativas e falar da falta de sentido na vida, o autor foi colocado pelo crítico Martin Esslin no panteão dos autores do Teatro do Absurdo, junto a Samuel Beckett, Eugene Ionesco e Jean Genet.

Em The Mother, a mulher teme que vampiros suguem sua a vida enquanto manipula o marido e o filho. Apesar de saber que é odiada, a mãe afirma que gosta de enxergar o que se tornou para a família. E mesmo após morte, a relação permanece recontada não por um retorno à memória, mas por sentimentos tão profundos que ultrapassam o próprio tempo.

A companhia Kropka Theatre foi fundada em 1977 na Austrália, mesmo país em que Witkacy passou em uma expedição na companhia do amigo, o antropólogo Bronislaw Malinowski. Outra parceria valiosa se iniciou na montagem, em 1956, de The Cuttlefish (A Lula) pelo diretor Tadeusz Kantor (1915-1990) que ganhou recentemente exposição de suas criações no Sesc Consolação.

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO DO EVENTO


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