Mikhail Logvinov/Bolshoi
Mikhail Logvinov/Bolshoi

Bolshoi de Moscou retira espetáculos de diretores críticos à invasão da Ucrânia

São eles: o ballet 'Nureyev', de Kirill Serebrennikov, e a ópera 'Don Pasquale', de Timoféi Kuliabin

Redação, AFP

02 de maio de 2022 | 10h30

O Teatro Bolshoi de Moscou anunciou a retirada de dois diretores que abandonaram a Rússia e expressaram publicamente sua oposição à ofensiva na Ucrânia do seu calendário de espetáculos previsto para maio.  

Em uma mensagem publicada nesta segunda-feira, 2, no Telegram, o respeitado teatro anunciou que o ballet Nureyev de Kirill Serebrennikov e a ópera Don Pasquale de Timoféi Kuliabin seriam substituídos nas seis apresentações previstas durante os feriados de maio. 

As razões desta mudança não foram expressas. O Bolshoi, perguntado pela AFP, não fez comentários. 

Diretor e cineasta respeitado, Kirill Serebrennikov está em Berlim. No final de abril, afirmou à AFP ter deixado recentemente sua Rússia natal por uma questão de "consciência" e havia criticado duramente a ofensiva russa na Ucrânia. 

Conhecido por seu apoio às pessoas LGBTQIA+, o artista foi condenado em 2020 por desvio de fundos a três anos de prisão com suspensão condicional da pena e proibido de abandonar o país. 

Seu ballet sobre Rudolf Nureyev, um bem-sucedido bailarino que fugiu da URSS para a Europa, foi substituído por Spartacus, uma peça sobre guerra. No começo de abril, o teatro havia apresentado este histórico ballet em apoio à operação militar russa na Ucrânia. 

Timoféi Kuliabin, jovem e inovador diretor, também abandonou a Rússia e publicou várias mensagens críticas sobre o conflito nas redes sociais. 

Após o início da ofensiva, em 24 de fevereiro, vários grandes bailarinos do Bolshoi abandonaram o teatro.  Entre eles, figuram a estrela Olga Smirnova e vários estrangeiros.

O Met de Nova York pôs fim às coproduções e à turnê no exterior do Boshoi, acontecimento anual muito esperado.  

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