Ferenc Isza
Ferenc Isza

'Billy Elliot' é cancelado na Hungria depois de campanha homofóbica

Musical ficou em cartaz por dois anos e foi alvo de campanha de jornal conservador que dizia que espetáculo "propagava" a homossexualidade

EFE

21 Junho 2018 | 21h55

A Ópera de Budapeste suspendeu 15 apresentações do musical Billy Elliot depois que um jornal próximo ao governo nacionalista lançou uma campanha contra a obra - que chegava a dizer que os jovens que a assistissem poderiam se tornar homossexuais.

O diretor da Ópera, Szilveszter Ókovács, informou nesta quinta-feira, 21, aos atores, que "foi feita uma campanha negativa na imprensa contra a produção de Billy Elliot" que afetou a venda de ingressos e, por isso, as quinze próximas apresentações do espetáculo que estava em cartaz desde junho de 2016 estavam canceladas.

Cerca de 100 mil pessoas viram o musical nesses dois anos. O teatro vai devolver o dinheiro dos ingressos.

O jornal conservador Magyar Idök publicou no dia 1º de junho uma crítica da obra em que acusava a Ópera de "fazer infelizes os jovens que, por eles mesmos, não iriam naquela direção", referindo-se à homossexualidade.

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O artigo acusa o musical de "propagar" a homossexualidade de uma forma que "afeta o subconsciente dos menores, justo numa idade quando é possível influenciar sua inclinação";

Poucos dias depois, outra matéria levava o título de Uma forma de vida desviada.

Billy Elliot, musical baseado no bem-sucedido filme de mesmo nome, de 2000, conta a história de um menino que sonha em se tornar bailarino profissional e enfrenta a resistência de seu pai, que quer que ele faça aulas de boxe. O filme foi sucesso de crítica e de público e a adaptação para o teatro, com música de Elton John, está em cartaz nas principais cidades do mundo e já ganhou numerosos prêmios na Broadway.

O edifício da Ópera de Budapeste passa, no momento, por obras e as apresentações estavam sendo realizadas no Teatro Erkel, que pertence à instituição.

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