MARCOS LOBO|DIVULGAÇÃO
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Ativismo nas artes é tema de festival de teatro de grupo

Oito companhias brasileiras e grupos de quatro países de língua latina se apresentam em mostra em São Paulo

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2015 | 04h00

Uma frasqueira encontrada no lixo pode ter muito o que contar sobre a história do Brasil. O objeto continha uma radiografia, maquiagens, cartões com números de telefone e documentos que pertenciam a uma senhora chamada Jacy. O espetáculo Jacy, do grupo Carmin, do Rio Grande do Norte, será apresentado durante a 10.ª edição da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, com abertura nesta sexta-feira, 30.

A montagem vista neste ano em Brasília, durante o festival Cena Contemporânea, tem como ponto de partida buscar compreender o envelhecimento. Com direção de Henrique Fontes, a aparição da frasqueira mudou os caminhos para uma investigação sobre a identidade da mulher e da capital potiguar. Nela, havia uma intrincada teia genealógica e hierárquica, e documentava as famílias da região que trabalhavam pela manutenção do poder.

Ao lado de Jacy, mais sete grupos brasileiros e representantes da Argentina, Equador, Cuba e Chile circulam entre os palcos do Centro Cultural São Paulo, teatros, CEUs e na Estação Brás da CPTM. A curadoria organizada pela Cooperativa Paulista de Teatro sincronizou a programação sob uma temática que reunisse estéticas que mesclassem arte e política. “Estamos em um momento político complexo”, diz o porta-voz da cooperativa, Edgar Cardoso. “Frente a uma ala religiosa, conservadora e violenta como a que estamos vendo no Brasil, é preciso pensar em como a arte pode se posicionar”, explica.

Com a mesma quantidade de grupos, a mostra manteve os números em relação à edição anterior (seis nacionais e seis internacionais). “Apesar dos cortes no orçamento da cultura que ocorreram neste ano, conseguimos manter o mesmo número de grupos e ainda ampliar os espaços de apresentação.”

Na lista de montagens nacionais, há o espetáculo do grupo A Motosserra Perfumada, que narra a história de um jovem que corre de porta em porta para reaver pedaços do seu corpo com amigos, familiares, amores. Com texto e direção de Biagio Pecorelli, o show Aquilo Que Me Arrancaram Foi a Única Coisa que Me Restou traz no elenco atores e músicos que se dividem no palco, entre eles o cantor Jonnata Doll, que participou da turnê Legião Urbana XXX Anos. “Quando escrevi, ainda não havia pensado em algo que integrasse música”, explica Pecorelli. “Mais tarde, surgiu a vontade de fazer um show que misturasse a história do rapaz com as canções do repertório de Doll.”

A programação internacional inclui o grupo Malayerba, do Equador, com seu Instrucciones para Abrazar El Aire (Instruções para Abraçar o Ar). Percorrendo memórias vindas de registros líricos e históricos, a peça reflete sobre o desaparecimento de uma criança durante a Guerra Suja na Argentina. O grupo chileno Tryo Teatro Banda relembra a passagem da Companhia de Jesus pelo país, de 1593 a 1767, e leva para o palco a montagem La Expulsión de Los Jesuitas (A Expulsão dos Jesuítas). 

Outras peças da programação

‘A Cidade dos Rios Invisíveis’ (SP)

Partindo da viagem de Marco Polo descrita em As Cidades Invisíveis, do italiano Italo Calvino, a peça percorre as estações BrásJardim Romano, na linha Safira da CPTM.  

‘La Virgen Triste’ (Cuba)

A Compañia Galiano retrata a história da poetisa e pintora modernista Juana Borrero (1877-1896), vítima de tuberculose.

‘Condomínio Nova Era’ (SP)

Inspirada em uma pensão real de São Paulo, a Digna Companhia aborda a rotina de seus moradores, a busca por moradia e as manifestações populares.

10ª MOSTRA LATINO-AMERICANA DE TEATRO DE GRUPO. Centro Cultural São Paulo. R. Vergueiro, 1.000, tel.: 3397-4006. Estreia hoje. Até 8/11. Grátis.

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