ArCênico: Querido poeta dos correios
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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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ArCênico: Querido poeta dos correios

'Rilke' chega ao palco, a partir de 3 de dezembro, com um recorte peculiar da vida do poeta Rainer Maria Rilke

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2018 | 02h00

Rilke chega ao palco, a partir de 3 de dezembro, com um recorte peculiar da vida do poeta Rainer Maria Rilke. É o momento em que busca o silêncio para tentar criar uma obra relevante e, acredite, parar de escrever cartas. Sim, cartas. Apesar de ser reconhecido como um dos principais poetas alemães do século 20, Rilke era um trator na escrita e envio de missivas.

Foram mais de 11 mil cartas ao longo de seus 51 anos de vida. Cartas a um Jovem Poeta é obra que, no Brasil, foi traduzida por grandes poetas como Cecília Meirelles e Manuel Bandeira. A montagem, fruto de dez anos de pesquisa do ator Ivo Müller, será apresentada nos dias 3, 8 e 10 de dezembro, no teatro da Biblioteca Mário de Andrade, com direção de Arieta Correa. 


CEMITÉRIO DE ILUSÕES 

Má notícia para o teatro paulistano. Um dos espaços alternativos mais incomuns e instigantes da cidade está a menos de um mês de fechar as portas. O Teatro Cemitério de Automóveis, que há seis anos ocupa um imóvel na Rua Frei Caneca, do ator e diretor Mário Bortolotto e do ator Carcarah, deve encerrar as atividades dia 5 de dezembro. “O proprietário está aumentando o aluguel para um valor que inviabiliza o teatro”, diz Carcarah. “Se não chegarmos a um acordo, entregaremos o imóvel em dezembro”. Pena. O teatrinho do Baixo Augusta tem poucos paralelos na cidade e prima por apresentar uma programação genuinamente alternativa e boêmia com peças teatrais, shows de rock e jazz, exposições de arte e leituras dramáticas e de prosa e poesia. Poderia estar encravado em cidades como Buenos Aires, Nova York ou Londres – mas está em São Paulo e nós é que perdermos.

TEATRO NA CAIXA 

A cidade teve um ganho há pouco mais de um ano e meio com a construção de um teatro, na região da Luz, formado por onze contêineres marítimos, da companhia Mungunzá. A trupe, que este ano completa dez anos de atividade, já recebeu em seu espaço mais de 60 mil pessoas para os 64 espetáculos apresentados ali em 272 apresentações – sem contar peças infantis, shows musicais, oficinas e debates. As comemorações vão até dezembro da melhor maneira que um teatro pode comemorar: apresentando as peças da própria da Mungunzá. Até dia 12, segunda, está em cartaz Poema Suspenso para uma Cidade em Queda, seguida de um dos maiores sucesso do grupo, Luis Antonio – Gabriela, de 16 a 26 de novembro, que já fez mais de 400 apresentações, e Porque a Criança Cozinha na Polenta, de 30 de novembro a 10 de dezembro.


NATHALIA NA FITA

A peça Através da Iris, em que atriz Nathalia Timberg encarna Iris Apfel, chegou ao Instagram da designer e ícone da moda (foto). Mais de 57 mil pessoas curtiram a imagem em que a atriz brasileira, de 89 anos, e Iris, 97 anos, estão lado a lado na foto. A dramaturgia é de Cacau Hygino e a peça está em cartaz no teatro Maison de France, no Rio, desde 11 de outubro. 

 

3 Perguntas Para...

Marat Descartes, ator 

1. Por que teatro? 

Pode acabar tudo no mundo, o Ministério da Cultura, o Sesc. Se sobrarem dois seres humanos livres, ainda rola teatro. 

2. O que é ser ator? 

É ganhar a vida fácil, mamando nas tetas do governo.

3. Com qual personagem de teatro você se parece e por quê? 

Hamlet: vontade de lutar contra mentiras, injustiças e imposturas X vontade de dormir (e acordar daqui a 4 anos).

 

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