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ArCênico: Os diários de João das Neves

O cotidiano do Grupo Opinião será revelado nos diários que o diretor e dramaturgo João das Neves, que morreu em agosto de 2018, escreveu ao longo da carreira e que vão virar livro

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

06 de junho de 2019 | 02h00

A rotina de trabalho do Grupo Opinião, um dos mais influentes do teatro brasileiro nos anos 60 e 70, chegará em breve às livrarias. O cotidiano da trupe será revelado por meio dos diários de João das Neves, um de seus diretores, morto em agosto passado. “Antes de morrer, ele deixou tudo pronto, mas recomendou que fossem feitas notas de rodapé para dar referências precisas”, conta a viúva de Neves, a cantora Titane. Duas pesquisadoras estão fazendo o trabalho. A Atelier, de Plínio Martins Filho, deverá publicar a obra.

VISÃO PRIVILEGIADA 

O Opinião teve diversos integrantes e colaboradores, mas os que começaram o grupo foram Oduvaldo Vianna Filho, Ferreira Gullar, Paulo Pontes, Denoy de Oliveira, Armando Costa, Teresa Aragão e Pichin Plá – a Dora Iris Plá. É bem possível que, de todos, o carioca João das Neves enxergasse mais longe. Rompia a tradição brasileira de pouca literatura sobre as rotinas dos grupos teatrais mais influentes, ao contrário do que acontece na Europa e nos Estados Unidos. Agora, a partir de seus diários, profissionais de teatro e acadêmicos poderão conhecer detalhadamente como era o dia a dia do grupo, quais eram os critérios de escolha das peças que o Opinião encenaria e as impressões de seus companheiros sobre aquele momento que viviam. Daí a importância do trabalho das pesquisadoras Ludmila Ribeiro e Natália Barud na contextualização da obra por meio de notas. Terminado esse processo, o texto vai para publicação. 

 

DE CARONA NO CARRO 

O Último Carro, escrita por João das Neves entre 1964 e 1965, terá atenção especial na edição do livro, com a publicação de imagens dos cenários e figurinos, além de críticas teatrais. A peça acabou sendo encenada somente dez anos depois, primeiro no Rio de Janeiro, e em 1977 em São Paulo. Sucesso retumbante nas duas cidades. Não era para menos. Neves abordava temas invisíveis antes de virarem modinha. Foi assim nos anos 70 quando escreveu e encenou Mural Mulher e, nos anos 1980, quando se engaja nas questões ambientais com o Grupo Poronga, no Acre.  

  

ABSURDO COMPLETO  

O Teatro do Absurdo é o tema central deste ano de Eugênia Thereza de Andrade para o ciclo 7 Leituras, 7 Autores, 7 Diretores, no Sesc Consolação. Serão lidos textos de Caryl Churchill, Coração Partido, com direção de Marco Antônio Pâmio, Piquenique no Front, de Fernando Arrabal, dirigido por Oswaldo Mendes, O Zelador, de Harold Pinter, com direção de Kiko Marques, e Ping Pong, de Arthur Adamov, direção de Eric Lenate. A programação completa está no site www.sescsp.org.br/programacao

3 PERGUNTAS PARA...

Carlos Palma - Ator e diretor, seria artesão se não fosse ator

1. O que é ser ator?

Brincadeira de criança impertinente.

2. Frase arrebatadora?

“Esta vida é simplesmente uma sombra que passa, um mero ator que tem a sua vez de voz e gesto no palco e de quem nunca mais se sabe”, Macbeth, de William Shakespeare.

3. Como gostaria de morrer em cena?

No terceiro sinal.

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