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ArCênico: Os 100 anos de Maju de Carvalho

Diretora teatral, poeta e tradutora, Maju é homenageada em seu centenário com o lançamento do livro 'Maria José de Carvalho: Mestra e Provocadora Cultural', em 20 de julho, e a exibição de documentário

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2019 | 02h00

Maria José de Carvalho ou Maju, como gostava de ser chamada, tinha predileção pelo número 1919, data em que nascera no coração da São Paulo da época, na rua Oriente, no Brás. Diretora teatral, poeta e tradutora. foi um azougue na vida de artistas, provocadora de primeira hora e, ainda assim, um docinho de coco com seus eleitos. Morreu em outubro de 1995, mas sua obra ficou espalhada em forma de livros, quadros e pessoas: traduziu Flaubert e García Lorca, foi retratada por Di Cavalcanti e Aldemir Martins e professora de dicção de Cacilda Becker e Fernanda Montenegro.

LIVRO E FILME NA PRAÇA 

Finalmente, agora, será lançado um livro que reúne boa parte do conhecimento sobre Maju, Maria José de Carvalho: Mestra e Provocadora Cultural, organizado por Antonio Carlos Suster Abdalla, em edição da Imprensa Oficial do Estado. O lançamento será em 20 de julho, sábado, na Sala do Conservatório, na Praça das Artes. No dia será exibido o documentário sobre Maju, dirigido por Omar Fernandes Aly. Ela ficou conhecida por realizar saraus de poesia e música em sua casa, no Ipiranga, sob o nome de Cabaret do Gato. Seu último trabalho foi dirigir uma coletânea de textos de Nelson Rodrigues, no Teatro Augusta, em 1994. 

 

E FALANDO NELE... 

O Teatro Augusta fechou as portas semana passada e já é, em dois meses, o segundo teatro da rua no Baixo Augusta a embicar em meio à crise dos aluguéis altos. Há um mês foi o Club Noir, de Juliana Galdino e Roberto Alvim. O Teatro Augusta, que nasceu em 1973 como Auditório Augusta, teve papel importante na cidade principalmente depois dos anos 80, quando se consolidou como sala de sucessos, como Visitando o Senhor Green, com Paulo Autran e Cássio Scapin. 

  

'DINDI' EM DOIS TEMPOS  

Tom Jobim não é fácil. Morto há 25 anos, o maestro carioca nascido em 25 de janeiro, data da fundação de São Paulo, continua cravando sucesso por aí e, mais do que isso, sincronicidade na vida da cidade. Duas peças musicais em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso – O Aniversário de Jean Lucca e Elza – têm em suas trilhas Dindi, a canção do maestro carioca. Claro, cada uma com um arranjo peculiar: no primeiro uma bela versão interpretada pela violoncelista Tatiana Polistchuk e, em Elza, no jeito Elza Soares de ser. 

  

MODERNIDADE MUNDO 

Renato Borghi e sua companhia irão montar pela terceira vez o texto de Bertolt Brecht, adaptado por ele e Esther Góes, O Que Mantém um Homem Vivo? O ator fez do mesmo texto encenações nos anos 70 e 80. Agora, aos 82 anos e mais elétrico do que nunca, Borghi usou aplicativos de mensagens instantâneas para disparar para sua rede de amigos um pedido peculiar: para que enviem todo o material que possuem sobre as duas montagens anteriores e também depoimentos em vídeos aos que assistiram. Tudo será usado nas redes sociais. Tecnologia na cabeça.

3 PERGUNTAS PARA...

Tania Bondezan - Atriz, formada em geografia.

1. Peça reveladora?

Pina Bausch sempre me causou revelações.

2. Frase arrebatadora?

“O que nos faz humanos, o que define nossa humanidade?” Ele responde: "O Amor?”. Ela retruca: "Não, o que nos faz humanos é a Dor, é a capacidade de sentir a dor dos outros como se fosse nossa”. A Golondrina.

3. Como gostaria de morrer em cena?

Seria muito bom se eu estivesse rindo. 

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