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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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ArCênico: Nando Bolognesi prepara trilogia

Além de 'Se Fosse Fácil, Não Teria Graça', que volta ao palco em 13 de abril, a sequência terá as peças 'Legítima Defesa' e 'Tá Ruim, Mas Tá Bão'

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

28 de março de 2019 | 02h00

Quando voltar ao palco do Tucarena em 13 de abril, o ator e palhaço Nando Bolognesi inaugura de fato um novo momento em sua carreira, iniciada pouco antes de ter descoberto ser portador de esclerose múltipla. Além de Se Fosse Fácil, Não Teria Graça, em que atua há seis anos, Bolognesi inicia a trilogia que terá sequência no segundo semestre com a encenação da peça Legítima Defesa, em que narra a história de seu sequestro e de como a aventura acabou em uma mesa de bar, ele e seu quase algoz. E a trilogia se encerra na sequência com Tá Ruim, Mas Tá Bão, em que retorna com seu personagem, criado há vários anos, o palhaço Comendador Nelson. No palco, aparece sempre sentado ou de muletas.

BALANÇA MAS NÃO CAI 

“Falo o tempo todo, sou um contador de histórias e estas características precisam estar em todos os espetáculos que escrevo e dos quais participo”, diz Bolognesi. “E mesmo com a presença da esclerose na minha rotina fui me descobrindo a cada dia no palco, mesmo com os limites físicos que a doença me trouxe a cada fase.” Ele conta que, por dois motivos, não consegue parar de fazer a peça – e este fato fez com que esticasse a história criando a trilogia. “Preciso falar sobre minhas dificuldades e, ao longo do tempo, percebi também que as pessoas precisam conhecer de perto a minha experiência com a esclerose múltipla e que este fato realmente as toca.” Em cartaz até 26 de maio, Se Fosse Fácil, Não Teria Graça já foi vista, segundo Bolognesi, por cerca 20 mil pessoas. 

DRAMATURGIA NO PRELO 

Quentinho, quentinho, está saindo do forno esta semana, para ser lançado em junho, o livro Dramaturgia Negra. Trata-se de uma das primeiras coletâneas que reúne peças teatrais de 16 dramaturgos e dramaturgas brasileiras contemporâneas. A organização da obra é de Eugênio Lima e Julio Ludemir e a publicação é da Fundação Nacional de Artes, a Funarte. Fazem parte do livro algumas gerações da dramaturgia nacional, como Dione Carlos, Grace Passô, Jhonny Salaberg, Jô Bilac, José Fernando Peixoto de Azevedo, Leda Martins, Luh Mazza, Maria Shu e Rodrigo França.  

PRIMEIRÃO, SIM  

Esta é a primeira vez que a Funarte publica um livro sobre o teatro escrito por autores negros. Antes, batera na trave, mas sem o devido destaque e possivelmente sem perceber que o fizera. Foi de carona em uma obra sobre um dos mais importantes difusores do teatro no País: Paschoal Carlos Magno – Crítica Teatral e Outras Histórias. O diretor criou dois grupos teatrais nos anos 40 e 50, o Teatro do Estudante e o Teatro Experimental do Negro. Não é pouco. O carioca Paschoal revelou, com seu Hamlet, um jovem ator paraense de 22 anos. Sergio Cardoso era o nome dele, um dos mais festejados atores brasileiros de todos os tempos. Mais do que isso, porém, a importância de Paschoal era a de levar suas montagens Brasil afora, longe do circuito Rio-São Paulo.

3 perguntas para

Dalma Régia: Atriz, curte filme e pipoca com a família

1. O que é ser atriz?

É doar-se por inteira qual uma mãe à filha recém-nascida.

2. Com qual personagem se parece?

Com a visceralidade de Medeia.

3. Situação inusitada em cena?

Engasguei comendo uma maçã. Estava ficando roxa quando meu colega de cena me salvou. A cena continuou e o público não percebeu que estava realmente engasgada.

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