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Palco, plateia e coxia
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ArCênico: Maria Alice morre 100 vezes

A atriz Maria Alice Vergueiro, de 82 anos e portadora da doença de Parkinson há quase 20 anos, será homenageada pelo grupo do Oficina

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 02h00

E ressuscitará, certamente, para a 101.ª para apresentar a peça Why The Horse? no dia seguinte. Para comemorar as suas 100 mortes na montagem do Teatro Oficina dia 14, sábado, a atriz Maria Alice Vergueiro, de 82 anos e portadora da doença de Parkinson há quase 20 anos, será homenageada pelo grupo do Oficina. Também haverá um show de Celso Sim – uma das músicas vem bem a calhar, O Amor, versão de Caetano Veloso e Ney Costa Santos para o belo poema homônimo de Vladimir Maiakovski. No refrão, Sim vai cantar: “ressuscita-me / quero acabar de viver o que me cabe / minha vida para que não mais existam amores servis”.

VOZ DAQUI 

Cássio Scapin estreia uma nova montagem pra lá de especial: Admirável Nino Novo. Sim, Nino, o personagem do Castelo Rá-Tim-Bum está de volta e, ao contrário da série da TV Cultura, o ator estará sozinho no palco. Bem, não tão sozinho. Contracena com um personagem invisível, o Espírito de Aventura, que se materializa na voz de Ney Matogrosso. O próprio ator convidou o cantor para a personagem. “Ney é um artista que, desde que me conheço por gente, faz parte da minha vida, estou muito feliz de tê-lo comigo no palco”. Estreia este sábado, no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado.  

 

VOZ DALI

Não é somente Ney Matogrosso que empresta sua voz para a cena: esta é a semana de vozes conhecidas marcarem presença em peças. O solo Das Cinzas, texto radiofônico de Samuel Beckett, com o ator Aury Porto, segue essa linha. A montagem tinha no palco Aury e Reneé Gumiel, falecida em 2006. A montagem que ocupa o teatro da Biblioteca Mário de Andrade nas próximas três segundas-feiras, às 19h, terá as vozes da bailarina e atriz, no papel da falecida esposa do personagem de Aury, e também do ator Paulo César Pereio. 

TRÊS VEZES AMOR  

Apresentada no primeiro semestre no Festival Internacional de Teatro de São Paulo e no Festival de Curitiba, Lovlovlov (foto) estreia em 9 de novembro na Caixa Cultural em São Paulo. O texto tem como base cartas de amor de Carmen Miranda, tem no palco os atores Diego Marchioro e Fernando de Proença, com músicas de Ná Ozzetti e direção de Isabel Teixeira.  

  

DESTOMBAR O TOMBADO

Nesta segunda, os conselheiros do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) analisarão o pedido de Silvio Santos de destombamento do Teatro Oficina sob a alegação de que o projeto original do teatro, de Flávio Império, não existe mais, pois foi substituído pelo de Lina Bo Bardi. É mais uma tentativa do empresário e apresentador de construir, ao lado do teatro, duas torres de cem metros de altura no coração do Bixiga, no bairro da Bela Vista. 

3 perguntas para...

Jairo Mattos

Ator, está aprendendo a fazer o globo da morte

1. Por que teatro?

Porque me transformou num homem um pouco melhor, um pouco menos medíocre, mais tolerante. 

2. Com qual personagem se parece?

Kean, de Jean-Paul Sartre. Ator cinquentão, irônico, beberrão e cheio de dívidas.

3. Qual peça foi uma revelação?

Mão na Luva, de Vianinha, com Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha. Me arrebatou. 

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