Carola Monteiro
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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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ArCênico: Mãe e filha tomam o palco

Ao lado de Amalia Leite, a atriz e diretora Janaina Leite estreia em 21 de junho o espetáculo 'Stabat Mater', no Centro Cultural São Paulo

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2019 | 02h00

Quando Stabat Mater chegar ao Centro Cultural São Paulo, em 21 de junho, a atriz Janaina Leite estará no palco com a mãe, Amalia. Pode parecer acerto de contas. E é. “Brinco com o arranjo entre vítima e carrasco, gozo e dor. Mas procuro outro caminho, como aponta a artista Angelica Liddell, que nega rótulos e usa com sombras e ambiguidades”, diz a atriz, que assina direção e texto. “Não sei trabalhar sem os fantasmas, mesmo correndo o risco de misturar campos e validar violências.” Mas, sim, há terror e pornografia, polêmica boiando aos olhos do espectador.

MÃE, FILHA, PAI 

Stabat Mater é o cântico cristão que relata o sofrimento de Nossa Senhora aos pés do Jesus crucificado. Mas também é o nome do texto da psicanalista e intelectual búlgara Julia Kristeva, no qual Janaina se inspirou para esta montagem. Este trabalho é complementar ao que a atriz levou ao palco há cinco anos, Conversas com o Pai, peça nascida das angústias de uma filha com o pai mudo por conta de uma traqueostomia. A vida ao vivo no palco em uma tragédia de nós mesmos.

 

PEQUENA GRANDE MOSTRA 

Stabat Mater é a primeira que abre a quinta edição da série Pequenos Formatos Cênicos, do CCSP, que premiou com montagem três textos inéditos. Além da peça de Janaina, poderão ser vistas ainda entre junho e setembro outras duas montagens: De Esperança, Suor e Farinha, de Paula Giannini e direção de Amauri Ernani, de 12 de julho a 11 de agosto, e A Neve ou Fora de Controle, com dramaturgia e direção de René Piazentin, de 16 de agosto a 11 de setembro. 

  

WILL DE ROUPA NOVA 

Sim, o bom e velho Will Shakespeare vai aparecer de roupas novas. Quando abrir suas cortinas na próxima quarta, 29, o Oregon Shakespeare Festival vai apresentar 39 novas versões em inglês, atualizadas, das peças do bardo – resultado de quatro anos de trabalho para trazer Will mais para perto do ponto de vista vocabular. Claro, a direção do festival foi achincalhada por descabelar tão irretocáveis e intocáveis textos – esquecendo-se que não existem textos imexíveis, como diria o dono da cadela Baleia, e o tempo é vilão para quem escreve. O festival se dará na Classic Stage Company, em Nova York, de 29 de maio a 30 de junho. Agora, o mais instigante: o fim do purismo. Mais da metade das autoras é mulher e o grupo tem autores de ascendência africana e asiática, como Ellen McLaughlin (Péricles), Lloyd Suh (Henry V) e Mfoniso Udofia (Otelo).  

 

PARA CRIAR MELHOR 

Tem escola de teatro chegando a São Paulo. De nova não tem nada já que a matriz funciona no ABC Paulista há 26 anos e formou artistas como Sérgio Guizé, Dani Calabresa, Alanis Guillen. A Escola Nacional de Teatro abre as portas neste fim de maio em um prédio de dois andares na região do Sumaré. Tem também o Cine Teatro de Bolso, espaço para apresentação de espetáculos em pequenos formatos e filmes.

3 perguntas para...

Nando BolognesiAtor e palhaço, diz que teatro é onde trabalha brincando

1. O que é ser ator?

Experimentar a delícia e a dor de ser o que a gente não é.

2. Como gostaria de morrer no palco?

Como um palhaço, sem que percebessem que eu tivesse morrido.

3. Peça-revelação?

Áulis, de Eurípides, direção de Celso Frateschi e Elias Andreato. Espetáculo inesquecível.

 

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