Priscila Prade
Priscila Prade
Imagem João Wady Cury
Colunista
João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
Conteúdo Exclusivo para Assinante

ArCênico: ‘Imbecil’ chega aos 50 anos

Plínio Marcos, o dramaturgo dos desvalidos e miseráveis, está de volta 50 anos depois da primeira montagem com 'Jornada de um Imbecil até o Entendimento'

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2018 | 02h00

Plínio Marcos (1935-1999), o dramaturgo dos desvalidos e miseráveis, está de volta 50 anos depois da primeira montagem com Jornada de um Imbecil até o Entendimento. Usa da malandragem de seis vagabundos que disputam esmolas nas ruas de uma grande cidade com somente dois chapéus. A encenação, dirigida por Helio Cicero, tem viés circense. O elenco tem Jairo Mattos, Fernando Trauer, Fernanda Viacava, Rogério Brito e Douglas Simon. Estreia marcada para sexta, 9, no Centro Cultural São Paulo, Espaço Cênico Ademar Guerra. 

TUDO POR UM TÍTULO 

Plínio Marcos escreveu a primeira versão de Jornada de um Imbecil até o Entendimento em 1960 e a batizou com o nome de Os Fantoches. Em 1965, fez uma segunda versão e deu dois títulos para o texto: Chapéu sobre Paralelepípedo para Alguém Chutar ou Jornada de um Imbecil até o Entendimento. Somente em 1968, com a primeira montagem profissional dirigida por João das Neves, consolidou o segundo nome da versão anterior – a encenação tinha cenários e figurinos de Carlos Vergara e músicas de Denoy de Oliveira, letras de Ferreira Gullar.  

ELE VOLTOU 

Deus, no caso, é o “Ele” em questão. E a peça chama-se Terrenal – Pequeno Mistério Ácrata (imagem acima), escrita pelo dramaturgo argentino Mauricio Kartun, conhecido por seu texto ácido e cheio de vida no microcosmo em que vivem suas personagens. No palco, que é um lote de terreno, os irmãos Caim (Fernando Eiras) e Abel (Danilo Grangheia) mostram suas diferenças como disputam a atenção do todo-poderoso (Celso Frateschi). Com direção de Marco Antonio Rodrigues, que traduziu o texto com Cecília Boal, a peça traz o olhar anárquico e muitas vezes hilário de Kartun sobre os filhos de Adão e Eva, usando como base a estrutura mitológica da história. Estreia 22 de novembro no Sesc Santo Amaro. 

BITITA VEM COM TUDO

Estreia sexta, 9, no Arthur Azevedo, Diário de Bitita, peça que é resultado de três anos de pesquisa sobre a vida e a obra da escritora mineira Carolina Maria de Jesus (1914-1977) – favelada, negra, catadora de papel e mãe solteira, que teve reconhecimento internacional por sua obra no exterior antes mesmo de ser aceita no Brasil. Com a atriz Andreia Ribeiro na pele de Carolina, o texto é uma adaptação das obras Quarto de Despejo e Diário de Bitita, e tem na direção Ramon Botelho. Carolina estudou apenas dois anos do primário e se transformou numa grande escritora, traduzida em mais de 40 países. Continua desconhecida por aqui.

Mais conteúdo sobre:
Plínio Marcos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.