Matthew Thompson/Druid
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Arcênico: Godot e Brook sacodem a Escócia

A montagem de 'Esperando Godot', de Samuel Beckett, tem sido considerada a melhor das últimas duas décadas, levada pela companhia irlandesa Druid

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

09 Agosto 2018 | 02h00

Um dos mais incríveis encontros teatrais da Europa, o Festival Internacional de Edimburgo, na Escócia, entra em sua segunda semana e promete sacudir as ilhas britânicas. Não é pra menos. A montagem de Esperando Godot, de Samuel Beckett, tem sido considerada a melhor das últimas duas décadas, levada pela companhia irlandesa Druid.

Sim, somos desgraçados e o mundo acaba cruelmente mal para Beckett, mas a diretora Garry Hynes acha que isso pode ser feito com humor sutil e cortante ao mesmo tempo. No elenco só fera: Garrett Lombard (Lucky), Aaron Monaghan (Estragon), Rory Nolan (Pozzo) e Marty Reas (Vladimir). Nada melhor que o desalento com humor.

SIM, ELE VAI 

Peter Brook é presença garantida até porque a sua companhia, o Théâtre des Bouffes du Nord, sediada em Paris, é residente convidada do festival e desembarca com três montagens. Brook divide dramaturgia e direção em The Prisoner, com Marie-Hélène Estienne. Fica em cartaz de 22 a 26/8. Mas há quem esteja com siricutico para assistir à nova montagem da diretora Katie Mitchell, que chega ao palco escocês com La Maladie de la Mort – montagem pra lá de multimídia que lembra o teatrão dos anos 90. Ok, ok, foi o despertar de Katie, aceitemos. A inspiração é o romance homônimo de Marguerite Duras. 

 

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ 

Se por lá o dinheiro para a cultura existe e é bem gasto por aqui míngua a cada dia. O Sesc, nosso verdadeiro e legítimo Ministério da Cultura, é o grande provedor das artes cênicas. E seguimos ladeira abaixo e cada um se vira como pode. Depois do corte de investimento da Petrobrás, o Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa à frente, decidiu seguir com o projeto de montar no muque Roda Viva, de Chico Buarque. A trupe lançará mão de financiamento coletivo para arrecadar R$ 1 milhão em poucos meses. Experiência e habilidade não faltam: a temporada carioca de O Rei da Vela foi financiada coletivamente. Na ausência de um Estado eficaz na cultura, é o que se faz. 

  

SANTOS ESTÁ COM TUDO 

O balneário paulista vai respirar teatro nos próximos 40 dias com dois eventos tradicionais. Começa dia 24 com a 60.ª edição do Festa – Festival Santista de Teatro, possivelmente o mais antigo em atividade contínua e que este ano tem como tema Mulheres Em Cena: da luta de Pagú aos dias de hoje. Serão 20 peças de 6 Estados e a abertura terá A Vida em Vermelho – Brecht & Piaf, com Letícia Sabatella e Fernando Alves Pinto. Depois vem o Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas do Sesc SP, de 5 a 15/9, com mais de 40 espetáculos de 13 países. A Colômbia, homenageada desta edição, abre o evento com Labio de Liebre, da Companhia Teatro Petra. E pela primeira vez a Nicarágua estará no Mirada e de lá vem a peça La Ciudad Vacía, do Teatro Justo Rufino Garay – narra por meio de três gerações a história de Manágua, capital do país. Os hispânicos estão com tudo no festival: haverá ainda a espanhola Compañía De Teatro Markeliñe com Euria (Lluvia), sobre a morte. Com fofura, claro.

 

MAS SÃO PAULO... 

... também tem seu espacinho. Se passar no Vale do Anhangabaú, perto do tradicional prédio dos Correios (Praça Pedro Lessa), de 24/8 a 9/11, é possível se deparar com cabeças cortadas de medusas da montagem de Medusa Concreta. É a peça de rua da Cia. Les Commediens Tropicales e do Quarteto à Deriva para contar a história mitológica aos olhos de Ovídio. As sessões serão às sextas, sábados e terças, às 17h.

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