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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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ArCênico: Erica e Eric estreiam em dupla

Erica Montanheiro, inspirada na escultora Camille Claudel, e Eric Lenate, no bailarino Vaslav Nijinsky, uniram suas peças, 'Inventário' e 'Testemunho Líquido', em 'Balada dos Enclausurados' e essas experiências estreiam no dia 1.º

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2019 | 02h00

O masculino e o feminino do mesmo nome poderiam sugerir a criação de uma nova dupla caipira. Mas Erica Montanheiro e Eric Lenate são do mundo do teatro e estão longe disso. Além dessa coincidência, ambos tiveram ideias similares em 2009, cada um em seu palco. Ela, inspirada na escultora Camille Claudel e ele, no bailarino Vaslav Nijinsky – os dois artistas ficaram internados anos em manicômios. As duas experiências poderão ser vistas a partir de 1.º de agosto, no Núcleo Experimental, na Barra Funda, de sexta a segunda-feira.

CRISS-CROSS TEATRAL 

Assim como Alfred Hitchcock, em Pacto Sinistro, criou um inspirado cruzamento de homicídios na cachola de um dos personagens, a que chamou de criss-cross, Erica e Eric fizeram o mesmo quando descobriram as similaridades entre seus projetos. E logo pregaram juras de amor incontrolável na parede. Amor cênico, claro: no monólogo escrito e interpretado pela moça, o moço seria o diretor. E no dele, ela assumiria a direção. E assim foi feito, dando o nome de Balada dos Enclausurados ao conjunto das duas peças. Aquela que tem inspiração em Camille chama-se Inventário, a baseada no sofrimento de Nijinsky, Testemunho Líquido. Sim, prepare-se para sofrer, não há paz que liberte neste caso. A própria cenografia leva o vivente, antes de chegar ao palco, a um enduro psiquiátrico da melhor qualidade, se é que se que pode falar assim. Ou seja, preparem suas camisas de força que o show vale o dobro. Mas, para aliviar o momento grave, uma exposição fotográfica com obras de Camille Claudel pode ser bálsamo e libertação para olhos e espíritos atentos.  


APOCALIPSE ALEMÃO 

Chega mais uma série de leituras de peças contemporâneas alemãs no Instituto Goethe. A primeira delas será As Trevas Risíveis, de Wolfram Lotz, em 31 deste mês, às 19 horas. Inspirado no livro de Josef Conrad No Coração das Trevas e no filme de Francis Coppola Apocalipse Now, Lotz mistura assuntos como pirataria, zonas de guerra e os absurdos do mundo pós-colonial. O diretor convidado para comentar o texto é Alexandre Dill.

  

AUGUSTA 70  

Com o fechamento do Teatro Augusta, há duas semanas, ficam na memória do espaço criado por Luiz Sergio Person peças históricas da cena paulistana nos anos 70. Entre elas estão El Grande de Coca-Cola, a montagem que abriu as portas do então chamado Auditório Augusta, e depois Entre Quatro Paredes, Lição de Anatomia, Orquestra de Senhoritas, Volpone e Sinal de Vida – esta escrita por Lauro Cesar Muniz e dirigida, em 1979, por Antonio Fagundes e Oswaldo Mendes. Este, aliás, é memória afiada do teatro brasileiro.

3 PERGUNTAS PARA...

Antonio Petrin - Ator, está em Aeroplanos

1. O que é ser ator?

Deixar de ser você e peregrinar por personagens. Buscar neles parte do sentido que me falta e falta ao mundo.

2. Por que teatro?

Aprendi com Lorca: teatro é poesia que se levanta do livro e se faz humana. E assim fala e grita, chora e se desespera.

3. Se não fosse ator?

Desenhista industrial.

 

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