Pablo Bernardo
Pablo Bernardo
Imagem João Wady Cury
Colunista
João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
Conteúdo Exclusivo para Assinante

ArCênico: Dramaturgia acima de tudo

Quando abrir as portas da 2.ª edição do Dramaturgias, em 8 de agosto, no Sesc Ipiranga, o evento trará uma pancada concentrada de atividades, como a peça 'Violento', com Preto Amparo

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2019 | 02h00

Um ser humano, talvez dois em cena. Um jogo no tablado. Uma plateia. Palco com mais gente do que público nas cadeiras. Não importa. Chame pelo seu nome: teatro. Desde o início era isso e assim continua. Tecer um texto para ser falado e, ao mesmo tempo, sonhado em imagens construídas para serem transplantadas para um palco está lá nas origens do ser humano.

Quando abrir as portas da 2.ª edição do Dramaturgias, em 8 de agosto, no Sesc Ipiranga, o evento trará uma pancada concentrada de atividades poucas vezes vista, como a peça Violento, com Preto Amparo (foto). E reafirmará o porquê de essa arte sobreviver ao rádio, à TV, TV a cabo, streaming e suas séries, ao trem-fantasma e à montanha-russa. Talvez por isso mesmo: tão humano. 

DRAMAS GRAMÁTICOS

O Dramaturgias 2 terá mais de 50 atividades para fazer dramaturgos babarem de felicidade incontida. E, mais que tudo, provar que dramaturgo bom é dramaturgo vivo. Que nos perdoe o bom e velho Will Shakespeare, esse traquinas. 

DRAMAS SOCRÁTICOS

Tudo começa com a montagem de Quando Quebra Queima (foto acima), peça criada a partir da experiência de estudantes secundaristas durante o processo de ocupações e manifestações de escolas públicas entre 2015 e 2016. A direção é de Martha Kiss Perrone e, no palco, Abraão Santos, Alicia Esteves, Alvim Silva, Ariane Fachinetto, Beatriz Camelo. E o evento segue com muitas outras peças, com encenações, como A Valsa de Lili, de Aimar Labaki, dirigida por Elias Andreato, com Debora Duboc, e leituras cênicas, como Obrigado Senhor Vigário, de Carolina Maria de Jesus, que tem direção de Naruna Costa. Haverá uma série de leituras especiais sobre a obra do dramaturgo, romancista e roteirista Fernando Bonassi. 

 

PAPANDO DRAMAS

Além das peças e leituras, haverá debates, aulas públicas, oficinas, ateliês e rodas de conversas, como a Espaços da Dramaturgia, dedicada ao Teatro Ágora, o Núcleo do Sesi e o Cemitério de Automóveis, com Celso Frateschi, Renato Borghi, Mario Bortolotto. Afinal, mais do que escrever, dramaturgos são angústias com pernas, seres que gostam mesmo é de falar.

 

AZEITONA NO PEITO

Um Tiro no Coração, de Oswaldo Mendes, trata do suicídio de Getúlio Vargas, mas não somente isso. Começa há 70 anos com o encontro do caudilho, então senador da República, e o jornalista Samuel Wainer, na Fazenda dos Santos Reis, e segue para o que já sabemos. A leitura será em 10 de agosto, às 14h30, no auditório do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. No elenco estão Amazyles de Almeida, Augusto Zacchi, Douglas Simon, Ednaldo Freire, Lara Córdula, Rogério Brito e Walter Breda, dirigidos por Roberto Ascar. Depois da leitura, debate entre o cientista político José Álvaro Moisés e a professora da ECA-USP Maria Cristina Castilho Costa.

3 PERGUNTAS PARA...

Janaina Leite - Atriz, faria mais filhos não fosse artista

1. Por que teatro?

Não sei fazer outra coisa. Sou obcecada pelo que faço. No teatro experimento algo inteiro. Dou tudo. Meu melhor e meu pior.  

2. Qual é o seu motto?

Encontrar uma boa medida entre loucura e sanidade para amar e trabalhar. 

 

3. Frase arrebatadora.

“Tem coisas mais importantes do que ser feliz”, de Angelica Liddell, em Via Lucis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.