Ricardo Brajterman
Ricardo Brajterman
Imagem João Wady Cury
Colunista
João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
Conteúdo Exclusivo para Assinante

ArCênico: Clarice chega a Brumadinho

Peça 'Missa para Clarice' é a primeira ação por meio da arte em exatos três meses para abraçar a cidade que, desde o rompimento da barragem da Vale, em 25 de janeiro, ainda vela seus 206 mortos e 102 desaparecidos

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2019 | 02h00

Os sinos da Igreja da Matriz de Brumadinho (MG) vão badalar às 19 horas para chamar os moradores da cidade mineira para uma missa – uma missa especial, mais teatral do que se espera naquele lugar. 

Trata-se da peça Missa para Clarice, com o ator e diretor Eduardo Wotzik, que será apresentada amanhã pela primeira vez em uma igreja. Claro, não é coincidência. É a primeira ação por meio da arte em exatos três meses para abraçar a cidade que, desde o rompimento da barragem da Vale, em 25 de janeiro passado, ainda vela seus 206 mortos e 102 desaparecidos.

BADALANDO NA PRAÇA 

“Levar nossa Missa para Clarice a Brumadinho é uma missão neste momento de desamparo em Brumadinho”, diz o ator Eduardo Wotzik. “É restituir ao mundo o caráter curativo que a arte tem.” A peça, que leva em sua dramaturgia textos de Clarice Lispector, tem mais de 300 apresentações em dois anos de existência. E chegou a Brumadinho por iniciativa de um grupo de voluntários, lideranças comunitárias e a Fundação Dom Cabral. Sábado, na Praça Central de Brumadinho, o espetáculo será reapresentado para um público estimado de 600 pessoas. No mesmo dia e no domingo haverá apresentação da Orquestra Maré do Amanhã e do Projeto Batucabrum. 

PERFORMER DE SI 

Em tempos de selfies na vida e autonarrativas nas artes é sempre bom lembrar os pioneiros nas técnicas de autoficção. É o caso do ator e performer – para dizer o mínimo – Spalding Gray (1941-2004). Um dos fundadores do The Wooster Group, criou e desenvolveu com Elizabeth LeCompte a Trilogia Rhode Island, no período de 1975 a 1980, influenciando várias gerações de artistas. Gray acaba de ganhar o centro das atenções em forma de livro em um lançamento feito no apagar das luzes do ano passado: A Alma, o Olho, a Voz: As Autoperformances de Spalding Gray, da editora Annablume. A autora é Márcia Abujamra, diretora teatral, que começou o livro como tese de doutorado, defendida no departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo (USP). O livro inclui a pesquisa feita pela autora em Nova York, nos arquivos sobre as 17 autoperformances criadas por Spalding Gray em que se misturam realidade, ficção e memória na construção do espetáculo. Não é para muitos, mas é para os bons. 

  

PASMADA EM PESSOA 

A atriz Vivianne Pasmanter, que no fim do ano passado esteve na cidade com a peça Amor Profano, é a próxima entrevistada da série Em Primeira Pessoa, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. O encontro, gratuito, será em 7 de maio, uma terça-feira, na Bela Vista. Seguindo o figurino, Vivianne vai falar sobre sua carreira, desde os tempos de formação, na Escola de Arte Dramática, da USP, até os trabalhos mais recentes na televisão, como a novela Novo Mundo (2017).

3 perguntas para...

Patricia Gasppar - Atriz, diz que teatro é maior que o ego

1. O que é ser atriz?

Era uma maneira de brincar de ser outras pessoas, agora uma brincadeira séria que me faz bem e dá a chance de tentar compreender melhor o ser humano.

2. Se não fosse atriz faria o quê?

Talvez psicóloga, mediadora ou algum trabalho à beira-mar.

3. Qual é o seu motto?

Tudo passa.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.