João Caldas Filho
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ArCênico: Busca-se uma nova Erêndira

Conto de Gabriel García Márquez volta ao palco em peça que estreia em setembro, no Teatro do Sesi; a atriz para interpretar a jovem Erêndira ainda não foi escolhida

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

18 de abril de 2019 | 02h00

Candida Erêndira, a menina de 14 anos que passa a ser prostituída pela avó, no conto de Gabriel García Márquez, A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, ganha luz novamente no palco de São Paulo. A peça estreia em setembro no Teatro do Sesi, e terá direção de Marco Antonio Rodrigues. A personagem da avó já tem dono. Sim, um homem, o ator Celso Frateschi, em uma montagem que promete chacoalhar o teatrão da Avenida Paulista. Mas a atriz para interpretar a jovem Erêndira ainda não foi escolhida. Sim, há tempo, mas não muito. No cinema, com direção de Ruy Guerra, o papel foi de Claudia Ohana, no filme de 1983.

GABO NO COMANDO 

A versão de Guerra para a telona teve como roteirista o próprio García Márquez e reuniu no elenco, além da própria Ohana, artistas internacionais como Irene Papas, Michael Lonsdale e Oliver Wehe em uma produção de três países: México, França e Alemanha. Mas, antes de tudo, Erêndira é uma história de obsessão para diretores teatrais brasileiros.

 

GABO POR AÍ

Augusto Boal atacou o texto como diretor em Paris, em 1984, com a versão para o francês de L’incroyable et triste histoire de la candide Erendira et de sa grand-mère diabolique, com adaptação dele e de Miguel Torres. O palco foi o do Théâtre de l’Est Parisien (TEP) e no elenco estavam Catherine Benamou e Marina Vlady. 

  

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Também os diretores Ulysses Cruz e Jayme Compri tiveram sua vez em Erêndira, em uma montagem de 1988 – Compri, oito anos depois, morre aos 33 anos em consequência de um aneurisma cerebral em Londres, quando cursava um mestrado de Dramaturgia Contemporânea no Goldsmith’s College, na Universidade de Londres. E há exatos 20 anos, 1999, o diretor e tradutor José Rubens Siqueira lançou sua própria montagem do conto de Gabo, que havia sido lançado em livro em 1972. Dirigiu em São Paulo a atriz Esther Góes, no papel da avó, com Giulia Mendonça, Daniel Ortega e Luciano Quirino no elenco.

DOBRADINHA CARIOCA 

Família também é o tema do Teatro Inominável, companhia carioca que faz duas estreias seguidas de peças inéditas no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, ambas com dramaturgia de Diogo Liberano. O solo Dentro, com direção de Natássia Vello, leva ao palco a atriz Laura Nielsen (FOTO) como a personagem quarentona que retorna à casa de sua família para tomar um café, digamos assim, com suas antepassadas já falecidas. Cheiro de acerto de contas. Será a partir de 24 de abril, em uma temporada que se estenderá até fim de maio. Em junho a companhia retorna com um novo monólogo, Yellow Bastard, com Márcio Machado em cena e direção do autor e de Andrêas Gatto. De quebra, a companhia aproveita as duas estreias para comemorar no palco os dez anos de atividades.

3 perguntas para...

Aury Porto - Ator e diretor, gostaria de ser agricultor.

1. Peça revelação?

Le Costume, de Peter Brook. Revelou como a encenação pode manipular a emoção do espectador com parcos recursos cênicos. 

 

2. Como gostaria de morrer em cena? 

Lentamente. E, depois de morto, velado lá mesmo. 

3. Frase arrebatadora?

“A floresta! É de lá que vem a humanidade. Peluda, com seus dentes de macaco, bons animais que sabiam viver.” Na Selva das Cidades, de Bertolt Brecht.

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