Ricardo Brajterman
A atriz Lilia Cabral e a filha, Giulia Bertolli, em 'A Lista' Ricardo Brajterman

Após cinco anos fora do palco, Lilia Cabral volta ao lado da filha em teatro online

Atriz e Giulia Bertolli estreiam ‘A Lista’, na segunda temporada do projeto ‘Palco Instituto Unimed BH em Casa’

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 15h00

Apesar de sentir a ausência das reações e dos aplausos da plateia, Lilia Cabral se rendeu ao teatro online e está de volta, após um hiato de cinco anos, com a peça ‘A Lista’, de Gustavo Pinheiro e direção de Guilherme Paiva. Depois de quarenta anos de carreira, esta será a primeira vez que a atriz divide a cena com a filha, Giulia Bertolli. A montagem, que será transmitida nesta quinta-feira, 5, às 20h30, pela internet, faz parte do projeto ‘Palco Instituto Unimed BH em Casa', que está na segunda temporada. “Eu estava sedenta de pisar no palco, porque estava fazendo muito cinema, novela e não tinha mais tempo. Então, estar no palco, mesmo sem plateia, a gente tem que pensar: ‘É isso que eu tenho. E graças à Deus estou aqui”, declarou a atriz em entrevista ao Estadão.



‘A Lista’ conta a história da aposentada Laurita, interpretada por Lilia Cabral, que mora sozinha em um apartamento, em Copacabana, no Rio de Janeiro, evitando se contaminar com o vírus que assolou o mundo da noite para o dia. A jovem Amanda (Giulia Bertolli) é quem abastece a casa da vizinha. O encontro das duas desencadeia um turbilhão de sentimentos, lembranças e descobertas. 

Em maio, quando elas receberam o texto da peça, ninguém imaginava que o novo coronavírus durasse tanto tempo. “Tudo o que a gente pensava era: ‘Como vamos adaptar esse texto, pois em setembro, outubro, novembro as coisas estarão diferentes. E não estão, né? (risos). A gente tinha muito cuidado para não deixar tão evidente a história da pandemia. Se bem que isso é só um pano de fundo para contar sobre a solidão dos dois personagens”, afirma.

Isolada com o marido e a filha desde o início, Lilia Cabral percebe que usou o período de quarentena para ressignificar, inclusive, a carreira. “O teatro me ajudou a resgatar uma coisa muito legal que é o começo da vida profissional. Agora (na pandemia), não tinha mais as pessoas ao redor fazendo as coisas. Quando a gente começa, vai lá e carrega o cenário, a roupa. Isso é o reconhecimento do que é o nosso ofício através de uma atitude muito simples. Então, isso me ajudou muito. Eu e toda a equipe estávamos pensando da mesma forma, como se tivéssemos 20 anos de idade, iniciando a nossa vida. Comecei a dar valor às coisas simples”, reflete. 

Além da reflexão, durante uma arrumação em casa na quarentena, Lilia Cabral achou alguns diários que escrevia quando tinha 15 anos de idade. “Eu adorava escrever, achava até que ia ser jornalista, mas gostava mais de me exibir”, brinca. Ao reler aquelas páginas escritas na juventude, sentiu vontade de colocar os sentimentos no papel novamente e percebeu o quanto precisava voltar para a terapia. “Reescrevendo me deu vontade de procurar a minha analista. Eu tinha parado de fazer análise por muito tempo em função do trabalho. Então, pensei que poderia entender melhor sobre a minha vida e o meu momento”, diz a atriz, provando que autoconhecimento é para toda a vida.

Assista ao vídeo:

 


Com mais de quarenta anos de televisão e teatro, o rosto e a atuação de Lilia Cabral já fazem parte da nossa memória cultural afetiva. Na pandemia, a atriz marcou presença em, pelo menos, quatro reprises de novelas na TV Globo e no canal Viva até agora: Fina Estampa, A Força do Querer, Laços de Família e Chocolate com Pimenta. “Quando soube que ia reprisar, foi uma surpresa! Quando a gente está fazendo o trabalho, sou muito crítica. Se vejo que uma cena não deu certo, fico sem dormir, sou muito detalhista. E no momento da produção, é ‘matar um leão por dia’. Agora, depois de tanto tempo, quando assisto, é um relaxamento e um prazer imenso”, confessa.

Ao voltar ao teatro, não foi difícil para Lilia criar um vínculo de primeira com Laurita: “Conheço bem esse personagem. Não exatamente essa mulher de Copacabana, mas eu sou paulista e sei esse caminho de algumas pessoas que, depois de uma certa idade, ficam viúvas. Elas vão jogar bingo, fazem um bolinho toda quinta, se reúnem, fazem crochê. Vivi muito isso com as minhas tias, com os meus familiares. Não que eu tenha carregado isso comigo, mas a memória afetiva a gente não esquece”.

‘A Lista’ terá transmissão ao vivo, de graça, às 20h30, pelos canais do YouTube do Sesc em Minas e do Teatro Claro Rio, e também pelo canal 530 da Claro TV. A produção do espetáculo seguirá todos os protocolos e recomendações relacionados à prevenção da covid-19, como a restrição do número de profissionais a trabalho, rigor no controle de circulação nas dependências do teatro e a medição da temperatura de todos os profissionais antes do acesso.

Sobre o futuro das artes no pós-pandemia do novo coronavírus, Lilia Cabral analisa que o teatro online veio para ficar: “Muita coisa mudou e que ninguém imaginava que iria acontecer. Você, diante de três ou quatro câmeras, interpretando para uma plateia que não existe, mas você sabe que está lá, que está em vários lugares do Brasil e até fora. No começo, eu mesma cheguei a questionar: ‘Será que o que a gente vai fazer é teatro?’. E a resposta é sim. Se tem uma pessoa na plateia, já é teatro”.

Para ela, os artistas têm papel imprescindível daqui para frente. “Faz bem pra nós e pra quem está assistindo. As pessoas não deixam de se emocionar e a gente quer que elas tenham um momento de alegria, relaxamento. E quanto mais a gente puder divulgar, estamos levando cultura a um país. É importante educar as crianças desde pequenas a gostarem de arte. É esse o caminho e não podemos esmorecer”, conclui.

Serviço:

‘A Lista’, peça que abre a segunda temporada do projeto “Palco Instituto Unimed-BH em Casa”

Quando: Quinta-feira, 5 de novembro, às 20h30

Onde: Transmissão simultânea, ao vivo, pelos canais no YouTube do Sesc em Minas e do Teatro Claro Rio e pelo Canal 530 da Claro TV.

Entrada franca

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Lília Cabral está em série baseada em filme

'Todas as Mulheres do Mundo', que tem o mesmo título da obra dirigida por Domingos de Oliveira, estreia dia 23 na Globo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

19 de abril de 2020 | 05h00

Lília Cabral não era próxima de Domingos Oliveira, mas como todo mundo admirava o autor de teatro, cinema e TV. “Ele falava de afeto como ninguém, de uma maneira muito bonita”, diz. Na quinta, 23, começa na Globo a minissérie, em 12 capítulos, Todas as Mulheres do Mundo – baseada no filme homônimo de 1966. O primeiro capítulo passa na TV aberta, os seguintes, no Globoplay. A história de Paulo, que salta de uma mulher a outra, até conhecer e se apaixonar por Maria Alice. Paulo é Emílio Dantas, com um visual diferente. Cada mulher ocupa um episódio. Lília Cabral é a mãe dele. Tem direito a um capítulo só dela.

“A mãe é uma personagem muito interessante. É independente, uma artista, escultora. Mora na serra, enquanto o Paulo é urbano, um homem da cidade. Tenho um romance com Floriano Peixoto, um ator com que não contracenava havia muito tempo, e foi muito gostoso.” Todas as Mulheres ainda vai estrear, mas Lília já está no ar, de segunda a sábado, nas noites da Globo, com a edição especial de Fina Estampa. Griselda, sua personagem, é uma figura – a mulher do macacão, trabalhadora, que expulsa de casa o próprio filho, porque Antenor/Caio Castro a renegou, contratando uma mãe de aluguel para impressionar a socialite Tereza Cristina/Christiane Torloni, mãe de sua namorada da faculdade. O repórter conta que, em tempos de isolamento social, tem acompanhado as aventuras (desventuras?) de Griselda.

“Ai, que delícia!”, e Lília acrescenta. “Eu também, vejo todas as noites, e agora com distanciamento. Vejo com olhar de público. Griselda é uma guerreira, uma mulher cheia de ética, um exemplo para esse país em que muitos pais passam a mão na cabeça dos filhos, não importa o que façam.” Griselda acredita em responsabilidade – pessoal e social. “Aguinaldo Silva (o autor) não quis levantar uma bandeira. O que ele queria era contar a história de uma brasileira que havia conhecido nos anos 1970. Uma mulher que levava uma vida dura, mas cheia de esperança, como as que a gente está vivendo hoje. Só que rever a Griselda é constatar que ela foi precursora do empoderamento, abriu um caminho para a libertação das mulheres.”

Na novela, Griselda também é mãe de Maria Amália, interpretada por Sophie Charlotte. “Essa menina é uma coisa linda, talentosa, e aliás não é menina. É mulher, é mãe.” O que nos leva de volta a Todas as Mulheres do Mundo, em que Sophie faz Maria Alice, a personagem que imortalizou Leila Diniz no cinema. “O Domingos era um daqueles homens de alma feminina, que entendia as mulheres. O Emílio (Dantas), que faz o alter ego dele na minissérie, também. Emílio é um doce, um homem que seria incapaz de fazer mal a uma mulher.” Justamente. Em tempos de confinamento, com as famílias isoladas dentro de casa, a violência doméstica recrudesceu. “É tão importante falar de afeto, como fazia o Domingos e faz o Jorge (Furtado, autor da minissérie). O mundo está embrutecido, mas este é o momento de se repensar. Está havendo muita solidariedade. A vida está dando uma chance pra gente. Afeto, delicadeza. Quem sabe, né?”

E o que Lília está fazendo, confinada em casa pela pandemia? “Não sou de botar a mão na terra, mas tenho jardim, e gosto muito que cuidem dele. Moro no Jardim Botânico (Rio), junto a uma casa que ocupa um quarteirão. Vejo as árvores, e são tão bonitas. Me dão a sensação de estar integrada à natureza. É muito bom neste momento. Tenho trabalhado no desenvolvimento de projetos, lido peças, mas não literatura. Ler livros, para mim, é uma atividade solitária, exige concentração e a gente está junto em casa, compartilhando tudo. Tenho visto mais filmes. Não havia visto os filmes do Oscar e me atualizei.” E...? “Gostei muito do Parasita, mas gostei mais ainda do Jojo Rabbit. Que filme!”

Falar desses filmes é falar de seus diretores – Bong Joon-ho, Taika Waititi. E que tal Patrícia Pedrosa, a diretora da minissérie Todas as Mulheres do Mundo? “Conheci a Patrícia como assistente. Era miudinha, muito bonita e aí a Patrícia foi crescendo na profissão, conquistando seu espaço e hoje é uma diretora madura, reconhecida. Tem pontos de vista que discute com a gente, mas nunca dando ordens. Ela discute a cena, corrige o que acha que não está bem e, quando termina, todo mundo tem certeza que deu o seu melhor.” Admite que está cheia de expectativa, e explica. “O trabalho foi feito com muita dedicação. Espero, sinceramente, que chegue às pessoas nesse momento especial.” 

Sobre Domingos: “A gente se conhecia, claro, ele ia sempre às minhas peças, eu às dele, mas teve um momento que me marcou. Fui à leitura de uma peça que ele criou a partir de cartas que eram endereçadas a uma revista e respondidas por meu analista. Inclusive foi o analista que me chamou. Cheguei lá e o Domingos fazia todas as vozes, todos os papéis. O que era aquele homem que parecia falar em nome de todo mundo? Que entendia todas as dores, que tinha tanta compreensão dos outros? Domingos era gênio. A palavra banalizou, mas ele era.”

Mesmo apostando no sucesso, Lília sabe que toda criação carrega um elemento imponderável. Antes de gravar Todas as Mulheres, havia feito a novela de Aguinaldo Silva, O Sétimo Guardião. “Todo mundo se empenhou, era uma equipe com gente muito boa, de grande talento, mas não aconteceu. Ficou muito abaixo da expectativa. Fico feliz com a repercussão que Fina Estampa está tendo. Pelo Aguinaldo, por mim, por todos nós. As pessoas comentam nas redes. A Griselda está sempre nos impulsionando a ser melhores. E eu, como público, estou adorando.”

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'Fina Estampa': veja o que acontece no último capítulo da novela

Saiba quem é o amante de Crô na obra de Aguinaldo Silva, além do final de Griselda e Teresa Cristina

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 21h40

O último capítulo da reprise de Fina Estampa será exibido nesta sexta-feira, 18, com o final de personagens como Teresa Cristina (Christiane Torloni) e Griselda (Lília Cabral), além do desfecho do mistério sobre quem é o amante de Crô (Marcelo Serrado) com tatuagem de escorpião no pé.

Definida pela Globo como uma "edição especial" por conta da adaptação de algumas cenas para ocupar o horário de novela das 9 deixado por Amor de Mãe, o episódio final de Fina Estampa deve ser muito semelhante ao exibido originalmente em 23 de março de 2012.

Relembre a seguir o resumo com os principais momentos do que aconteceu no último capítulo de Fina Estampa.

Quem é o amante de Crô em Fina Estampa?

Apesar de todo o mistério, Aguinaldo Silva não revelou o mistério sobre quem era o dono do pé com tatuagem de escorpião que se envolvia com Crô. O personagem, porém, interage uma última vez com a pessoa.

"Todos querem saber de quem é esse pezinho. Mas eu não vou dizer. Lembra da caixa de Perpétua, da novela Tieta? Todos queriam saber o que tinha dentro dela. Mas no final, ninguém descobriu. Assim como ninguém vai descobrir de quem é esse pezinho", diz.

Em outubro de 2012, meses após o último capítulo de Fina Estampa, Aguinaldo Silva falou sobre quem seria o escolhido para o papel, e explicou o motivo que o fez mudar de ideia. A declaração foi dada durante o Encontro com Fátima Bernardes.

VEJA TAMBÉM: O Sétimo Guardião relembre as polêmicas da novela de Aguinaldo Silva

"No início, seria o dono da rede de vôlei (Carlos Machado), mas ele se tornou um vilão e não ficaria bem o Crô ser amante de um vilão. O público queria que fosse o Baltazar, mas ele era casado com a personagem da Dira Paes", afirmou.

Na sequência, prosseguiu: "Eu achava que seria uma coisa meio absurda existir aquela paixão entre marido e mulher e, ao mesmo tempo, ele ter um caso com o Crô. Não faz o menor sentido. Como eu não podia revelar o homem da rede de vôlei por causa da maldade, eu achei melhor não dizer quem era o amante do Crô".

Aguinaldo Silva também lamentou as críticas: "Essa minha escolha teve uma repercussão péssima, o público não gostou. Fiquei dias sem sair de casa porque as pessoas me cobravam nas ruas".

O que acontece no último capítulo de Fina Estampa

Teresa Cristina pede que Griselda implore por sua vida. Os filhos da mecânica descobrem que a mãe foi sequestrada e Patrícia (Adriana Birolli) fica sabendo que sua mãe está envolvida. 

A vilã arremessa um secador na banheira em que Ferdinand (Carlos Machado) está. Ele morre eletrocutado na água. Ela volta ao local em que está Griselda para dar início a um incêndio e empunhar uma arma contra a rival. 

Neste momento, Antenor (Caio Castro) e Patrícia chegam ao local. Após certa confusão, Patrícia aponta a arma para a mãe, que ironiza: "quero ver se vai ter coragem de matar a mamãezinha! Acaba com isso de uma vez por todas!"

Patrícia não consegue atirar e Teresa Cristina foge em seu carro, mas Antenor consegue desamarrar Griselda e sair do local antes de uma explosão. No dia seguinte, policiais vão atrás do carro de Teresa Cristina, mas acabam capotando na perseguição. 

A vilã consegue fugir e sai para viajar no barco de Pereirinha (José Mayer) enquanto uma grande tempestade se aproxima. A embarcação não aguenta, começa a afundar, com invasão de água.

Passam seis dias e as autoridades não conseguem encontrar a dupla, mesmo com as buscas.  O testamento de Teresa Cristina é lido por um advogado. Ela deixa 50% de seus bens para ser divididos entre os filhos, Patrícia e Renê (David Lucas) e 50% de sua fortuna, além de sua casa, para seu fiel escudeiro Crô. 

Griselda faz um emocionante discurso na formatura do filho, que conta com a presença de diversos personagens de Fina Estampa.

Um carro com vidros escuros para diante de Griselda. O vidro do banco traseiro se abre e surge Teresa Cristina, que tira seus óculos e gargalha. Espantada, a personagem de Lília Cabral saca uma chave inglesa de sua bolsa e chacoalha em direção ao carro, que se afasta.

Outros finais dos personagens de Fina Estampa

Nos núcleos secundários de Fina Estampa, Esther (Julia Lemmertz) consegue a guarda legal de Vitória no tribunal. Beatriz (Monique Alfradique) chora com a decisão. 

Letícia (Tânia Khalil) e Juan (Carlos Casagrande) se casam e passam a noite de núpcias em um hotel, onde assistam à luta de Wallace Mu (Dudu Azevedo), que vence e ganha o cinturão de MMA. Ao agradecer o título, homenageia Dagmar (Cris Vianna), citando que ela "conquistou seu coração".

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