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Antunes revive no coração delas

Antunes Filho estava mais próximo de um líder religioso que de um diretor de teatro convencional.

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2019 | 10h55

Sabrina sonhou com ele esta semana. Nara dará de presente de aniversário ao mestre uma orquídea. Gilda chora muito ao pensar em sua figura e distância. Vanessa acha que ele está presente nas salas onde as crias ensaiam novas peças de teatro. E Ondina… Ah, Ondina pensa em como somente ele poderia relacionar a personagem rodriguiana Geni, de Toda Nudez Será Castigada, com Sonia, de Crime e Castigo, de Dostoievski. A morte do diretor Antunes Filho, aos 89 anos, em 2 de maio passado, ainda é uma ferida aberta no coração de suas atrizes.

O FUTURO MORA AQUI 

A morte é óbvia, mas aceitar é que são elas. As cinco atrizes – Gilda Nomace, Nara Chaib Mendes, Ondina Clais, Sabrina Greve e Vanessa Bruno, reveladas por Antunes –, podem falar de carteirinha. Ainda mais hoje, exatamente hoje, dia que marca os 90 anos do nascimento do diretor. É pena, mas Antunes Filho vai perder o melhor da festa – o que, no seu caso, poderia ser a glória já que fugia de comemorações como o diabo da cruz.

Hoje, a partir das 18 horas, até a noite de sábado haverá uma série de eventos para celebrar sua memória, seus feitos, seu amor pelo teatro. Mas também o tema será o futuro: o que será do CPT, de sua estrutura formativa às encenações. Uma coisa é dada como certa: como ser insubstituível, Antunes terá seu lugar ocupado em rodízio por diretores convidados. E assim o jogo segue.  

 

MEMÓRIA PULSANTE 

Se algo pode ser destacado na série de eventos que homenageará Antunes é a série de depoimentos espalhados pelo Sesc Consolação – depoimentos emocionados das atrizes e atores formados por ele, diretores, técnicos e até pessoas comuns que conviveram com o diretor durante décadas. Ou seja, vai de Juca de Oliveira a um motorista de táxi. A pedido da curadoria do Sesc, nos últimos meses, foram enviados por essas pessoas registros em textos, vídeos e fotografias que mostram a relação do diretor com seus seguidores. Sim, aqui a palavra se aplica. Antunes Filho estava mais próximo de um líder religioso que de um diretor de teatro convencional.

Tanto é que, mesmo depois de terem saído do CPT há mais de dez anos, artistas se mantêm unidos por meio de um grupo de conversa para falar sobre o ídolo no WhatsApp – atividade que se tornou mais forte após sua morte este ano. Talvez por isso o mestre permaneça pululando nas ideias de suas atrizes, como Sabrina Greve. Esta semana sonhou com Antunes discutindo com outras quatro pessoas sobre o futuro do CPT. “Foi um sonho muito forte, ele parecia animado. E ao lado um grupo fazia aquecimento como se preparando para uma apresentação”, conta. Mais do que nunca, agora, Antunes está no meio de nós.

3 perguntas para Amanda Acosta, atriz

1. Por que teatro?

O teatro ainda será a salvação da humanidade. Será um dos raríssimos lugares em que as pessoas irão parar para ver e ouvir uma história, gente de carne e osso, sem telas no meio da comunicação.

2. Qual seu motto?

Ser livre para ser quem é.

3. Se não fosse atriz?

Seria socióloga ou antropóloga.

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