Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Antonio e Bruno Fagundes voltam a encenar a peça 'Vermelho'

Espetáculo agora terá tour nos bastidores e leilão de quadros da peça

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2016 | 06h00

Os atores Antonio e Bruno Fagundes retornam com a peça Vermelho no dia 12 de agosto, no Teatro Tuca. Não será, porém, uma simples volta – dessa vez, o espectador que estiver disposto (e também contar com um pouco de sorte), poderá ficar mais tempo perto de pai e filho que os 80 minutos de duração do espetáculo. “Como o público sempre se interessou pelo nosso fazer teatral, decidimos ampliar essa relação”, conta Antonio que, ao lado de Bruno, arquitetou uma série de novidades, entre conhecer os camarins antes do início da peça e, terminada a encenação, um leilão para a venda de um específico objeto de cena, além, é claro, do já tradicional debate sobre a dramaturgia. Assim, quem ficar do início ao fim, poderá permanecer no teatro por até cinco horas.

Certamente, serão momentos proveitosos. “Queremos ajudar o espectador a desvendar os mistérios do teatro”, continua Antonio. “Abrir possibilidades para as pessoas conhecerem os bastidores”, completa Bruno. Assim, além dos bilhetes habituais para se ver a peça, serão colocados à venda 10 ingressos que permitirão acesso ao teatro 1h30 antes do início do espetáculo. Tais afortunados terão meia hora para conversar com os Fagundes e outra meia hora em uma visita guiada pelos camarins e coxias. Finalmente, nos 30 minutos restantes, enquanto os dois atores se preparam para a encenação, todos os espectadores poderão conhecer melhor a obra do pintor americano Mark Rothko (1903-1970), que inspira a peça Vermelho, em uma exposição montada no saguão do Tuca.

Antonio e Bruno Fagundes decidiram retornar com a temporada de Vermelho por acreditarem na força dessa montagem. “Estreamos em 2012, mas tivemos de interromper, pois surgiu um momento único para montar Tribos”, conta Bruno, referindo-se à peça seguinte montada e produzida pela dupla – como de hábito, não foram usadas leis de incentivo. “Acreditávamos que ficaríamos quatro meses encenando Tribos e, depois, retomaríamos Vermelho”, comenta Antonio. “Só que ficamos dois anos e meio em cartaz, passando por 31 cidades (inclusive 7 em Portugal) e nos apresentando para 200 mil pessoas.”

Terminada a vitoriosa temporada de Tribos, pai e filho recuperaram a intenção de voltar com Vermelho. Afinal, trata-se de uma experiência estimulante proposta pelo dramaturgo e roteirista (O Aviador, Gladiador) John Logan. A disputa verbal entre o pintor Rothko e seu assistente Ken se desdobra em várias camadas, partindo da dinâmica relação entre o artista e sua obra até chegar ao entendimento dos caminhos da pintura ocidental. “Rothko era o mais purista dos abstracionistas, com um grau de exigência muito grande em relação à sua obra”, observa Antonio.

De fato, o pintor nascido na Rússia tinha uma rara preocupação em relação ao público que admiraria suas telas – para Rothko, não importava o tamanho das telas (em seu período clássico, ele criou peças monumentais), mas a criação de um contato íntimo e humano com o espectador que, a partir de temas como tragédia, êxtase e sublime, fosse transportado para o campo espiritual que ele materializou nos contrastes e na modulação da cor.

Por conta disso, é significativo que a peça comece justamente quando Rothko chama Ken para observar um de seus quadros. “O que você vê?”, é sua primeira fala e, antes que o rapaz responda, ele passa a apontar detalhes que precisam ser captados, pois, afinal, para Rothko, a pintura mais interessante é aquela que expressa mais o que se pensa do o que se vê – algo como um meio para externar pensamentos filosóficos ou esotéricos pela tinta e pelo pincel.

Em cena, Antonio e Bruno pintam telas, que agora, em vez de dispensadas, serão leiloadas no período entre o fim da apresentação e antes do início do debate. “Acreditamos que são objetos que podem despertar o desejo de alguns espectadores”, conta Antonio, que promete se revezar na função de leiloeiro com Bruno.

QUEM É MARK ROTHKO? PINTOR AMERICANO

Judeu nascido em Dvinsk, na Rússia, em 1903, emigrou com a família para os EUA aos 10 anos. Apesar de classificado como um expressionista abstrato, desprezava o rótulo, não aceitando também ser chamado de “pintor abstrato”. Por acreditar que “o silêncio é mais exato”, deixa de denominar suas obras a partir de 1947, identificando-as apenas pelas cores. Seus últimos anos foram difíceis, culminando com o suicídio em 1970. 

VERMELHO

Teatro Tuca. Rua Monte Alegre, 1.024. Tel.: 3670-8455. 6ª e sáb., 21h30; dom., 18h. R$ 60 / R$ 80. Estreia 12/8. Até 4/12

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