Cirque du Soleil
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Análise: Quando o futebol também é encarado como uma brincadeira

Lionel Messi, que aos poucos construiu uma carreira inabalável, transcendeu as barreiras impostas pela camisa e se tornou um ídolo de todos

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2019 | 07h00

Por que Messi? A pergunta me ocorreu quando soube da iniciativa da turma do Cirque du Soleil de construir um espetáculo tendo o camisa 10 do Barcelona e da Argentina como tema. A possível resposta me levou para os tempos de criança, para dentro do Circo Bandeirantes, que vez ou outra durante o ano erguia sua tenda esburacada próximo à minha casa. Era minha segunda maior alegria, porque a primeira continuava sendo o futebol jogado na rua. 

A partir daí, foi fácil relacionar as coisas. Circo e futebol. Talento e habilidade. Desafio e resultado. Sempre com alegria. Messi concilia tudo isso em sua profissão. Já houve outros, como Mané Garrincha, nosso anjo das pernas tortas, e, mais recentemente, Ronaldinho Gaúcho, um verdadeiro malabarista com a bola nos pés. Arte pura. Não por acaso passou a ser chamado de bruxo depois que abandonou o futebol mais sério.

Mas Messi parece único nesse quesito atualmente. Brinca com a bola e com os adversários como se estivesse num picadeiro, num palco que ele domina desde os tempos de menino. A cada partida, uma história nova. O engraçado é saber que não há roteiro para seus feitos em campo. Nada é como no jogo anterior. Nem os rivais nem o próprio Messi. Tudo parece acontecer sem qualquer enredo, na base do improviso, apoiado apenas pelo seu talento. Talvez por isso Messi tenha sido escolhido. A camisa 10, na verdade, não é mais de Barcelona ou Argentina. A 10 de Messi é de todos nós que amamos o futebol bem jogado, competitivo e, acima de tudo, divertido, muito divertido.

A magia do futebol está diretamente ligada à magia circense, do público que se levanta das arquibancadas e grita em êxtase, das feições de incredulidade, do suspiro da paixão e da dúvida. Afinal, quem nunca se perguntou como tudo aquilo era possível. 

Messi não nasceu do tamanho que é hoje. Foi construindo sua carreira, e fama, ao longo dos tempos, nunca deixou de acreditar, jamais imaginou que pudesse ser tema de uma apresentação desse porte, mas certamente sabe, no fundo, porque foi escolhido. 

Nos últimos dez anos, ele domina a cena do mundo que frequenta, sempre encantando e fazendo as pessoas sorrir. Há muito tempo deixou de ser um jogador de uma bandeira só. Messi nos pertence, como o circo, que retrata o que somos ou o que queríamos ser. Sua história sai das quatro linhas para ser contada por gerações.

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