Edu Garcia/Estadão
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Análise: O bom era saber que Ayrton sempre voltava para casa

Ayrton Senna da Silva representava o que todo brasileiro gostaria de ser até aquela metade de década dos anos 1990

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2017 | 06h00

Nunca haverá outro como Ayrton Senna, por quem o Brasil chorou naquele 1.º de maio de 1994 após o acidente improvável na curva Tamburello, em Ímola, na Itália. Improvável porque Senna guiava como poucos. Improvável porque Senna não seguia um padrão. Improvável porque Senna era, sem dúvida, o mais preparado para fazer o que mais gostava, pilotar. 

Mas não foi por isso, sua destreza dentro de um F-1, que Senna ganhou o País, dobrou o mundo das corridas e perpetuou o “português” do Brasil dentro da modalidade mais badalada do automobilismo. Senna reunia uma série de habilidades. A mais cativante, no entanto, era sua obstinação em ganhar, chegar na frente, superar obstáculos e se entregar mais do que qualquer outro, muitas vezes acima dos seus próprios limites.

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Ayrton Senna da Silva representava o que todo brasileiro gostaria de ser até aquela metade de década dos anos 1990. Sua obstinação também era a obstinação do povo brasileiro, sofrido por DNA, mas que nunca desistia ou se entregava. Não o brasileiro. Nem na curva nem na reta. Senna fazia de todos nós, a cada troféu erguido, brasileiros mais orgulhosos. Eu, você, ele, todos nós... Nos fazia pular da cama a cada manhã de Grande Prêmio com a convicção de que a bandeira nacional seria tremulada no pódio, na maioria das vezes no lugar mais alto dele, abraçado e reverenciado pelos concorrentes, por vezes humilhados na pista.

Senna não tinha limites. Ganhava corridas partindo lá de trás, ultrapassando seus oponentes, um a um, pulverizando recordes, andando nas zebras, dentro e fora dos padrões, até se deliciar à frente da bandeira quadriculada da chegada. O Brasil festejava com ele. Tinha música e ginga. E sabíamos que o herói brasileiro tomaria o primeiro avião, de qualquer parte do mundo, e voltaria para sua gente. Senna era nosso. 

Quando preciso, se valia de expedientes nem tanto desportivos para ganhar. Foi assim na decisão de um de seus campeonatos mundiais. Era o troco em Prost. Troco de um cara humano, de fraquezas. Foi a mais perfeita simbiose entre máquina e homem.

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