Marcelo Chello/ Estadão
Marcelo Chello/ Estadão

Ações artísticas ajudam crianças na primeira infância a descobrir o mundo

Após isolamento social por causa da pandemia, pais e filhos se conectam através do teatro

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2022 | 15h00

A arte pode ser terapêutica, sobretudo para crianças na primeira infância que, durante quase dois anos, estiveram isoladas de seus pares. Na pandemia, o mundo a partir dos olhos de muitas delas foi a sala, o quarto, os adultos ou, no máximo, os irmãos dentro de casa. A escola, que seria a porta de entrada para a interação social, esteve fechada por muito tempo. Com o retorno de algumas atividades, o céu parece o limite para os pequeninos que podem, agora, desfrutar da companhia dos pais, mas em um cenário completamente diverso como o palco de um teatro.

Saber o que se passa na cabeça de um bebê ou toda a complexidade das emoções nessa idade parece missão impossível mas, para quem está no ‘flagrante’ desse retorno, notar o detalhe do brilho nos olhos ou das expressões faciais, é um privilégio. “É incrível observar a interação desses ‘bebês da quarentena’. Muitos estão vendo alguém que é como eles pela primeira vez. Ficam curiosos, animados e eufóricos diante dessas presenças. A arte, o jogo e o estado brincante quebram o gelo e proporcionam aos bebês e seus cuidadores um contato delicado, sensível e generoso”, ressalta a atriz Júlia Mariano, da 2 Mililitros Cia. Teatral. Ela e a companheira, a atriz Thiane Lavrador, apresentam o projeto Cadê? O que? Achou!, uma série de ações para crianças de 0 a 6 anos de idade.

“O teatro é uma arte que se faz no encontro! E é no encontro que entendemos nossa sociedade e compreendemos mais sobre nós. Nestas ações poéticas, incentivamos a troca entre as crianças e entre seus cuidadores, na esmagadora maioria mães, que passaram um período muito solitário e desafiador durante o isolamento”, afirma Thiane. A programação gratuita ocorre até 3 de julho, aos sábados e domingos, em oito Casas de Cultura de São Paulo; a agenda completa está no site.

O espetáculo ‘Cadê?’ é apresentado aos sábados, sempre às 11h, para bebês de até três anos. Todos os adereços utilizados são objetos cotidianos e ganham uma nova função com muita imaginação. Após a apresentação, o público é convidado a entrar em cena e explorar livremente o cenário e os adereços. Às 15h, a contação de histórias ‘O que?’ é voltada para os pequenos de 3 a 6 anos.

“A ideia de trabalhar com arte para a primeira infância é de colocar o bebê e a criança pequena como protagonistas dessas atividades e mostrar que pensar algo que seja específico para essa faixa etária é essencial”, ressalta Julia. Aos domingos, Thiane acrescenta que ‘Achou!’ traz a interação entre filhos e cuidadores: “Fazemos uma caça ao tesouro que termina com uma atividade plástica.

Os adultos são convidados a fazerem parte deste grupo na caça às pistas e na confecção de uma lembrança que levam para casa. É difícil encontrarmos espaço na nossa rotina para brincar de verdade com as crianças. Mas é através da brincadeira que elas desenvolvem suas habilidades socioemocionais, motoras, cognitivas”. Essa ação ocorre em dois horários no domingo, às 11h, para os pequeninos até 3 anos e, às 15h, para a faixa etária de 4 a 6.  

Existem outras ações promovidas para a primeira infância e que podem ser exploradas pelo Brasil. A Cia Zin de Teatro elabora espetáculos para bebês e se dispõe a compreender as diferentes fases das crianças tendo como base Jean Piaget e Lev Vygotsky, teóricos do desenvolvimento. Já o Grupo Sobrevento, há mais de 10 anos, começou a montar peças para esse público, quando alguns dos integrantes tiveram filhos.

Para criar os espetáculos, eles se baseiam na visão da criança como um ser pleno, capaz de se comunicar, se relacionar e se emocionar. Em junho, o grupo retoma a turnê ‘Meu Jardim’, para crianças com até 3 anos de idade, que passará pelas cidades de Porto Velho, em Rondônia, Boa Vista, em Roraima, Teresina, no Piauí, Maceió, em Alagoas, e Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

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