SERGIO CADDAH
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‘A Reação’ formula ideias sobre o uso de antidepressivos

Montagem dirigida por Clara Carvalho examina a indústria farmacêutica e discute a função dos medicamentos na vida social

Leandro Nunes , O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 20h39

O cenário virtual lembra o filme Minority Report nas cenas em que o ator Tom Cruise manipulava com as mãos a tela de um computador futurista. A discussão, entretanto, está muito bem posicionada nos nossos tempos. “Cerca de 60% dos pacientes melhoram com o uso de medicamentos antidepressivos”, defende Dr. Thomas, personagem que conduz uma pesquisa sobre a criação de uma nova droga. “Não é verdade! Apenas 40%, e a curto prazo”, rebate a psiquiatra Dra. Lorna, que auxilia nos trabalhos. 

Com texto da dramaturga inglesa Lucy Prebble, A Reação é conduzida por Clara Carvalho, em sua terceira incursão na direção. “Hoje está na moda ser feliz. As pessoas precisam provar que estão bem”, afirma ela, em conversa com o Estado. “Por outro lado, os medicamentos podem, sim, ajudar. Não dá para ser 100% contra ou a favor.” 

Na montagem que estreia nesta sexta-feira, 16, no Teatro Vivo, dois jovens voluntários vividos por Andre Bankoff e Isabella Lemos aceitam participar de uma pesquisa com remédios antidepressivos, supervisionados pelos médicos interpretados por Rubens Caribé e Kadi Moreno. 

As cobaias tomam regularmente o medicamento e são monitoradas por aparelhos presos à cintura. O projeto visual do espetáculo entra para mostrar em um telão as simulações desse relatórios frios que se abrem e fecham sob os gestos da psiquiatra. Para Clara, o clima frio hospitalar frio serve para se opor às emoções e crises das personagens. “O corpo dos atores precisa estar quente, suas vozes e expressões, caso contrário eles seriam engolidos pela tecnologia”, explica.

Com o andamento da pesquisa, vai se aumentado a dosagem do medicamento. Ao mesmo tempo, Connie e Tristan criam um laço de afeto que surge quando ambos fogem para um local abandonado. Lá, o rapaz faz um número de sapateado. “Comecei a estudar há alguns meses e não quero mais parar”, diz Bankoff, que faz aulas com a bailarina Christiane Matallo. 

Aos poucos, a paixão do casal avança e surte efeitos. Será que eles estão apaixonados? Será que são os efeitos do remédios? Tristan nega que substâncias químicas podem influenciar emoções: “Eu sei diferenciar quem eu sou e o que são os efeitos colaterais”. Mas tudo dependo ponto de vista. Para Dr. Thomas, a reação causada pode ser lucrativa. “O médico pensa que descobriu o ‘Viagra do amor’ e que isso poderá salvar as relações pessoais”, conta Caribé. 

Com referências a Shakespeare, A Reação se remete a personagens como Romeu, Julieta e Hamlet, tido como o primeiro personagem deprimido do teatro. Em um discurso apaixonado, o médico defende: “Medicar é um ato de amor consentido entre duas pessoas: o médico e o paciente” – enquanto segura um cérebro.

A REAÇÃO. Teatro Vivo. Av. Dr. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, tel. 97420-1520. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 18h. R$ 30/R$ 40. Até 20/12. 

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Teatro Lucy Prebble

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