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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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A mesma peça aqui e na Suécia

O diretor e compositor Dan Nakagawa prepara-se, com um elenco sueco, para a primeira leitura em inglês de sua peça O Aniversário de Jean Lucca neste sábado, 1.º, na Stockholm Academy of Dramatic Arts. Poderia ser algo comum nesse processo de internacionalização da arte não fosse a curiosidade de Nakagawa estar montando a mesma peça nos dois países: uma delas em Estocolmo e a outra, em São Paulo, com artistas brasileiros. Os trabalhos na Suécia acabaram se adiantando por conta de o diretor ter ganho um edital naquele país para fazer uma leitura com atores e atrizes locais – no grupo há estrelas da cena sueca, como a atriz Lia Boyssen, protagonista de vários filmes e séries na Suécia e na Europa. 

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2018 | 06h00

EMPLACADA 

Tudo começou no ano passado, quando Nakagawa colaborou com a diretora, professora e artista punk Ulrika Malmgren, ao dirigir a quatro mãos algumas cenas da montagem dela com atores suecos na Stockholm Academy of Dramatic Arts. “A experiência foi incrível porque ali eu pude ver que o tipo de teatro experimental que fazemos em São Paulo afeta – e muito – o artista sueco”, conta o diretor. “Eu já estava escrevendo O Aniversario de Jean Lucca, então apresentei para a produtora Katta Pälsson o projeto para montar a peça aqui.” 

 

EU AVISEI  

O ator Bryan Cranston prepara-se para mais uma maratona, sete vezes por semana em Nova York. Depois de invadir a casa dos humanos como o personagem Walter White, de Breaking Bad, estreia na Broadway com a montagem, britânica de The Network. Cranston passou este ano pelo West End londrino e levou para casa o Olivier Awards de melhor ator por sua atuação como Howard Beale, âncora de um programa jornalístico de baixíssima audiência que, ao saber de sua demissão, anuncia ao vivo que vai se matar. Caos instalado, sucesso garantido. Nem poderia ser diferente. Ser humano em paz é marasmo. A novidade no elenco da peça, que chega a Nova York, dia 6, é o ator Tony Goldwyn, uma das estrelas da série Scandal, na qual faz o presidente norte-americano Fitzgerald Grant, o Fitz. A direção da montagem de The Network é do belga Ivo van Hove. Escrita em 1976, satiriza a mídia e não deixa pedra sobre pedra. E tem mais de onde saiu isso.

NÃO AVISARAM 

The Network (Rede de Intrigas) nasceu como filme pelas mãos do cineasta Sidney Lumet em 1976. Tremendo sucesso. A personagem Howard Beale deu a possibilidade ao ator inglês Peter Finch desempenhar possivelmente sua melhor atuação no cinema, com indicação para o Oscar. Mas a vida é madrasta. O ator não pôde gozar o sucesso. Um ataque cardíaco o abateu no lobby de um hotel em Beverly Hills em janeiro de 1977, no dia seguinte à participação no talk-show mais bombado da época, de Johnny Carson. Isso não impediu – talvez tenha ajudado – que a academia de Hollywood o premiasse no mesmo ano com o Oscar póstumo de ator por The Network. Sim, claro, todos pensamos nisso: espera-se que Bryan Cranston, com o mesmo personagem de Finch, esteja com seus exames em dia.

Três perguntas para Suely Franco

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1. Por que teatro?

Nasci com ele. Brincava com bonecas sem saber que era teatro, fazendo teatro. Minhas amigas faziam teatro. Fiz rádio teatro com 7 anos, na escola, igreja. Continuei fazendo teatro. 

2. Situação inusitada?

Quando a gente esquece o texto, a canção...

3. Peça arrebatadora?

Amanhã, Amélia de Manhã mudou minha vida. Eu era aquilo, fazia tudo que o mestre mandava. Comecei a mandar em mim.

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